“O Anjo Caído” | Daniel Silva

“O Anjo Caído” | Daniel Silva

Retrato de um espião

Mais um livro, eis uma extraordinária aventura. É sempre assim desde “O Artista da Morte”, o primeiro romance que uniu a genial e acutilante escrita de Daniel Silva com a tortuosa vida de espião de Gabriel Allon, um dos membros mais emblemáticos do Departamento, a unidade especial de espionagem israelita.

Jornalista de formação, o autor norte-americano vai buscar grande parte da sua inspiração para escrever os livros da série Gabriel Allon à sua experiência como correspondente da UPI (United Press International), que o levou a terras do Médio Oriente, uma conjuntura que lhe permitiu sentir in vivo alguns dos mais determinantes episódios do conflito entre Israel, Irão, Iraque e demais vizinhos.

A primeira aventura em forma de livro de Daniel Silva deu-se com a edição de “O Espião Improvável”, em 1997, e o sucesso instantâneo foi o motivo que levou o escritor natural do Michigan a dedicar a sua vida ao mundo dos livros em detrimento do factual mundo jornalístico.

Com uma produção bastante prolífera e extremamente bem documentada, Daniel Silva conquistou milhões de leitores em todo o mundo e os seus livros, recheados de ingredientes deliciosamente embrulhados em doses consideráveis de condimentos essenciais à construção de um thriller de espionagem de eleição, são a sua imagem de marca e é frequente a comparação com autores consagrados como John le Carré e Graham Greene.

Em “O Anjo Caído” (Bertrand, 2013), Daniel Silva faz regressar Gabriel Allon ao palco de mais uma conspiração internacional e, desta vez, o espião “convertido” em restaurador de arte refugiado pelos muros do Vaticano vai ver-se envolvido numa intriga que o leva de Roma até Viena, passando por Jerusalém, Paris, Berna e Berlim.

A aparente acalmia de Allon, que tem em mãos o restauro de uma conhecida pintura de Caravaggio (“Descida da Cruz”), é quebrada pela convocatória de monsenhor Luigi Donati, o conhecido e influente secretário privado do contestado papa Paulo VII. Chamado à Basílica de S. Pedro, Gabriel dá de caras com o cadáver de uma atraente mulher debaixo da abóbada de Miguel Ângelo. O aparente suicídio não convence o espião israelita e o corpo de Claudia Andreatti, curadora do Departamento de Antiguidades do Vaticano, é o primeiro indício de uma intriga internacional em grande escala que envolve o tráfico de antiguidades, conspirações internacionais e uma máfia organizada que tem no terrorismo a mais fácil das armas.

Gabriel aceita fazer parte desta perigosa investigação e, sob a premissa de não fazer “demasiadas perguntas”, vê-se envolvido num segredo que extravasa sobremaneira o cadáver da jovem italiana e que o leva para dentro de um mundo gerido por uma organização criminosa que consegue uma parcela significativa do seu orçamento através da pilhagem de tesouros da Antiguidade cujo destino é a casa de um qualquer multimilionário sem escrúpulos. Para dificultar ainda mais o trabalho de Allon e camaradas, um misterioso agente tem em mente um plano de sabotagem que colocará em perigo o mundo tal como o conhecemos.

Nesta que é a décima segunda aventura de Allon nas mãos de Daniel Silva, “O Anjo Caído” revela-se um fantástico livro que mistura entretenimento, intriga e suspense revelando um profundo conhecimento do autor no que toca ao conflito entre Israel e os seus inimigos.

Ainda que faça parte de uma série específica, este livro pode (e deve) ser lido por quem ainda não experimentou viver as desventuras do espião israelita, pois a contextualização pertinente da história leva à natural compreensão da traumatizada existência de Gabriel. Para os fãs de Allon esta é, sem dúvida, mais uma obra obrigatória que se devora num ápice.

A complexidade de Gariel Allon faz com que seja um dos mais lidos e respeitados personagens dos thrillers e policiais e são milhões os que partilham da opinião de Bill Clinton afirmando estar perante uma das mais queridas criações ficcionais.

“O Anjo Caído” é mais que um livro. É sentir a adrenalina das ações de Allon, viver a história de um povo marcado pelo ódio e saborear aquilo que a literatura tem de melhor: um sentimento de catarse constante. Para ler e rapidamente!



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