O Fatalista

Mais uma estreia nacional com o apoio da rua de baixo.

“O Fatalista” é a mais recente aventura de João Botelho. O autor de “A Mulher Que Acreditava Ser Presidente dos EUA” traz-nos agora uma adaptação livre de “Jacques Le Fataliste”, de Diderot, romance editado em 1771, 18 anos antes da Revolução Francesa, onde Botelho ensaia uma parábola sobre o Homem e o seu destino. A estreia nacional faz-se a 8 de Dezembro.

Em recente entrevista à revista Visão, o realizador justifica a escolha desta obra com o seu fascínio pelos clássicos, uma vez que “as pessoas aprendem comportamentos de vida, ficam mais felizes quando os lêem”. Mas a razão principal volta a prender-se com a crítica aos comportamentos tão típicos dos portugueses; ao contrário do fatalismo do livro, que é optimista (“porque está tudo escrito lá em cima”), o nacional é pessimista pois “ainda temos os 40 anos de fascismo na cabeça”. É verdade! Há também sexo em “O Fatalista”, algo hoje indispensável num filme que se preze.

Ao contrário do que se passa no livro de Diderot, Jacques e o seu amo, as personagens centrais, passam aqui a ser o empregado Tiago, com funções de motorista (Rogério Samora) e o seu Patrão (André Gomes). Em vez de cavalos, há automóveis e há um bordel disfarçado de pensão, com quadros de Rubens na parede. O elenco conta ainda com Rita Blanco, José Wallenstein, Patrícia Guerreiro, Teresa Madruga e Suzana Borges.

Tudo o que de bem ou de mal nos acontece “cá em baixo”, está escrito “lá em cima”.

“Esta é a frase preferida de Tiago para justificar todas as suas surpreendentes acções quando conduz o seu patrão na delirante e interminável história dos seus amores.

Narrativas múltiplas para aventuras desconcertantes, sexo e poder à flor da pele e na parte mais obscura dos cérebros, poder e saber em guerra desenfreada, a luta de classes como motor do mundo e a revelação do comportamento dos homens e das mulheres e da consequência das suas acções.

Sem um segundo de descanso, hoje como há três séculos atrás, um texto vigoroso, brutal, obsceno e revolucionário corre de par com um humor requintado, num jogo que Diderot levou tão longe e tão fundo que se transformou no jogo do mundo”.

Para ver a partir de 8 de Dezembro um pouco por todo o país.



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