Os melhores da Classe 2006

Alguns dos mais estimulantes discos do presente ano em rápida análise na RDB.

Num ano, até ver, bastante estimulante em oferta musical, a primeira nota vai para a dupla faceta de alguns dos registos de maior relevo na facção alternativa: num lado, temos excelentes discos de nomes já globalmente consagrados (Pearl Jam, The Red Krayola, Bruce Springsteen, Sonic Youth) mas, por outro lado, temos também algumas estreias ou segundos discos de projectos com uma enorme margem de progressão pela frente (Secret Machines, Final Fantasy, The Zutons ou Living Things, por exemplo). Houve ainda regressos de uma solidez enorme de gente como Cat Power, Liars, Placebo ou Tool. Oferta de valor não faltou, está mais do que claro.

A produção nacional, uma prioridade por estes lados, tem estado também ela em boa forma. Excelentes discos de Dead Combo, The Legendary Tiger Man ou X-Wife foram nota de destaque na primeira metade de 2006. A estreia de The Weatherman, o primeiro EP dos Spartak, as boas vibrações dos Mercado Negro e os sons mais pesados dos Moonspell foram outras das notas maiores do semestre nacional. E vem aí o primeiro álbum de originais dos Linda Martini, o segundo de Loto e Gomo, etc.

Atenção também a nuestros hermanos, com uma vitalidade em matéria de lançamentos mais alternativos que julgávamos impossível. Nomes como Deluxe (o tal que andou em digressão com os The Gift), Catpeople ou Limousine vão deixar, a médio prazo, de ser nomes estranhos ao grande público nacional. Basta seguir com relativa atenção a cena musical dos nossos vizinhos espanhóis.

Alguns dos discos maiores de 2006, até ver, em destaque mais alargado na RDB:

The Raconteurs – Broken Boy Soldiers
“Broken Boy Soldiers”, o disco de estreia dos The Raconteurs, é já um dos maiores tesouros declaradamente rock’n’roll do presente ano.

Os Raconteurs são Jack White (White Stripes), Brendan Benson, Jack Lawrence e Patrick Keeler (ambos dos Greenhornes). Os Raconteurs são amigos de longa data, companheiros musicais de sempre que somente agora conseguiram encontrar-se em estúdio e registar o seu disco de estreia. Jack White, líder dos White Stripes, é obviamente figura central da banda.

Os Raconteurs assentam a sua sonoridade em estruturas rock, Led Zeppelin como o nome mais próximo, talvez. Existem, obviamente, vestígios dos White Stripes, na força instrumental de grande parte dos temas, por exemplo. Brendan Benson transporta as harmonias, as melodias, e certos elementos mais pop que fazem de “Broken Boy Soldiers” um disco multifacetado na sua sonoridade, longe de uma categorização única e inviolável.

«Steady as She Goes», o single de apresentação, é certamente um dos mais contagiantes temas dos últimos tempos.

O rock está vivo e de boa saúde. Se mais méritos não existissem por estes lados, esta seria já razão de sobra para recomendar “Broken Boy Soldiers” – especialmente a todos os que ainda acreditam que nada de fresco se consegue fazer actualmente baseado em guitarras. Jack White e companhia demonstram que sim, ainda há muita vitalidade à espera de ser ouvida actualmente.

(XL/Popstock)

My Morning Jacket – Z
Já os apelidaram de resposta americana ao rock dos Coldplay, mas os My Morning Jacket são muito mais que isso. A sua alma pop é de qualidade pouco comum e de beleza quase estratosférica. “Z”, o último de originais do grupo, foi editado originalmente em 2005 mas só recentemente viu distribuição nacional assegurada. E só recentemente pudemos passar os ouvidos por uma canção como «Gideon», afinal de contas a certeza de que o Paraíso existe e pode esconder-se por detrás de uma canção. Mas há mais, muito mais. Um disco que urge descobrir. Fica a dica… não digam que não foram avisados.

(XL/Sony/BMG)

Neal Casal – No Wish To Reminisce
Songwriter ainda pouco conhecido por terras nacionais, Neal Casal apresenta na novidade “No Wish To Reminisce” uma das maiores pérolas pop do ano. Melodias, muita harmonia, uma voz quase celestial. E canções, muitas, e muito boas, «You Don’t See Me Crying» à cabeça. Uma óptima surpresa vinda directamente da Fargo e mais um disco que urge descobrir rapidamente. E, acrescente-se em jeito de lamento, um artista que urge pisar solo nacional para um espectáculo ao vivo.

(Fargo/AnAnAnA)

Keane – Under The Iron Sea
Um seguríssimo segundo passo após a estreia, faz agora dois anos, com “Hopes And Fears”. Um segundo disco aqui e ali mais experimental («Broken Toy» poderia pertencer aos Radiohead de «Kid A», por exemplo), mas a mesma perfeição na construção de temas pop. O single «Is It Any Wonder?» vai buscar recortes ao legado dos U2, mas, apesar de tudo, “Under The Iron Sea” mostra já uns Keane com uma interessante personalidade aliada a algumas canções de uma elegância notável. Um disco quase sempre viciante que fará as delícias de muitos no Verão de 2006.

(Universal)

Scott Walker – The Drift
2006 viu também o marcante Scott Walker regressar aos discos de originais. Para não variar, com um disco estrondoso. Um músico misterioso, um compositor de excepção. “The Drift” é isso mesmo: um mistério sem solução aparente, um aglomerado de canções recheadas de detalhes, pedaços (de nada, de tudo), momentos, emoções.

Experimentalista por natureza, torna-se quase impossível prever que direcção tomará Scott Walker a seguir. Se calhar é isso que o torna único, uma personagem singular no cada vez mais formatado e desinteressante (em matéria de figuras carismáticas) mundo da música. Se o presente ano pode ser (e deve ser!) considerado como um bom ano em termos de discos de originais, muito se deve a Scott Walker.
O mano Walker em 2006 com “The Drift”: o álbum “não-álbum” do ano?

(4AD/Popstock)

A primeira de metade de 2006 já lá vai. Para breve esperam-se discos novos de TV On The Radio, Thom Yorke a solo, DJ Shadow, Pharrell Williams, Yo La Tengo, Beck ou Kasabian. Fica a antevisão feita certeza: música boa continuará a não faltar até final do ano.



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