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Red Bull Music Academy Porto Hub 2012 | Pitch | 10 de Março

When's the next one?

A festa de encerramento da Red Bull Music Academy foi como o cartaz do evento anunciava, uma verdadeira “Cereja no topo do Pitch”. A festa tomou de assalto o clube portuense e conseguiu transformá-lo. O ambiente estava diferente de uma noite normal daquele espaço habituado a sonoridades menos “experimentais”. Se nunca lá tivéssemos entrado, poderíamos sentir-nos como se estivéssemos num club de uma qualquer capital europeia ou mundial. O evento acontecia nos três espaços do Pitch. O Bar, situado no piso de cima, esteve entregue aos discos e mais dedicado ao Hip-Hop/Funk/Soul/Rock, o Club, localizado no rés-do-chão, conduziu-nos pelo universo da electrónica e o Basement, uma nova área do Pitch situada na cave, deu abrigo a projectos de sonoridades mais ecléticas.

O warm-up para a noite serviu-se no piso do Bar, onde tocaram Capicua, Swinging Rabbits, SaiR, Branches e Maze. André Neves, também MC dos Dealema, conduziu os discos no piso de cima ao longo toda a noite, deu início às hostilidades e durante os “intervalos” das actuações dos outros artistas brindou o público presente com muito Funk/Soul/Hip-Hop e música portuguesa, de ontem e de hoje. Capicua, MC da Invicta que lançou recentemente o seu álbum pela Optimus Discos, mostrou que não é só mais uma miúda com atitude; é, sim, uma mulher de garra, com beats poderosos, mensagens e rimas bem delineadas. Os Swinging Rabbits, aka Jonathan Tavares e Sérgio Alves, trouxeram um Rockfunkblues poderosíssimo, com guitarras psicadélicas, e samples de beats dos anos 60, 70 e 80, que provocaram os primeiros passos de dança mais expressivos.

No Club, os Plaid, habituados a usar a imagem para acompanhar o seu som, conseguiram que o seu live-act visual e sonoro, conduzido por batidas Techno, abrisse a pista, e pusesse toda a gente a dançar. James Pants entre o microfone, a bateria e a maquinaria, contagiou com a sua actuação frenética, que de DJ set (como anunciado) pouco teve, porque se mais braços tivesse, provavelmente mais recursos teria usado para se expressar, transportando-nos ao longo de uma viagem pelo Disco, Soul e sonoridades mais electrónicas. Definitivamente um dos grandes momentos da noite. Jorge Caiado, a representar a nação, mostrou que ainda se faz um House surpreendentemente dançante pelas nossas bandas. Quem quis dançar, teve boa companhia pela noite dentro.

Era impossível ver todas as actuações de todos os espaços; elas aconteciam em simultâneo, e se calhar por isso muitos acabaram por não ver quem tinham ido “de propósito para ver”, porque tinham “ficado a ver” artistas que desconheciam.
Na cave, foram os Amazonas, Ghunagangh e Throes+The Shine que trouxeram à noite um espírito mais festivo, pela energia que transpiraram em palco. Os Amazonas abriram a noite com a proposta mais acústica de toda a noite, e o público gostou. Com Ghunagangh aka Ghuna X+Rey, o piso de baixo virou uma sala de espectáculo. São provocadores. À primeira vista podem até assustar. Beats fortíssimos e mensagens incisivas; impossível ficar indiferente. A crueza do que dizem e de como dizem, não fez mal a ninguém, o público inquietou-se e aderiu à provocação.

A fechar a noite no Basement, juntou-se um duo de Rock e um de Kuduro electrónico… Resultado? A festa instalou-se definitivamente no piso de baixo. Os Throes + The Shine puseram toda a gente a dançar. O movimento de pernas dos dois vocalistas hipnotizou a multidão, que à segunda música já dançava como se de repente tivesse sido transportada até Luanda. Depois de já terem passado pelo Milhões de Festa, provaram este sábado no Pitch que são mais do que uma banda que não quer ir na boleia dos Buraka. Além de um grande som, têm uma atitude muito própria, e o público gostou disso.

Uma festa que juntou no Pitch algumas das melhores coisas que se vão fazendo na música por aí, nas suas várias vertentes. O culminar de uma semana de sinergias e colaborações especiais, em que o Porto pôde ouvir muito boa música, quase de graça e em formato concentrado!

When’s the next one?

Reportagem fotográfica por Luce Santos aqui.



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