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Samuel Úria – Pés de Roque Enrole @ Musicbox (03.10.2019)

E, como é teimoso que nem um moleque, Samuel voltou ao local do crime nas duas noites seguintes para repetir o show de rock n’ rol que aqui descrevemos, eventualmente com cambiantes para manter as coisas interessantes, desde logo para os músicos.

A noite seria de rock n’ roll puro e duro e, como tal, havia que preparar a disposição para o mesmo, sendo caso para dizer que Catarina Munhá foi incumbida de distribuir as sobremesas antes do prato principal. Acompanhada em palco de forma sóbria e sábia pelo multi-instrumentista Daniel Costa, Catarina foi-nos deliciando com a sua pop acústica, normalmente movida a ukelele, mas também com espaço para o teclado brilhar, interpretando temas do seu novíssimo álbum “Animal de Domesticação”. As canções soam extremamente simples, algo que por norma é bastante complicado de fazer, e vêm ilustradas por letras inteligentes e repletas de pormenores bem-humorados que, não poucas vezes, provocam um sorriso à própria autora.

O protagonista da noite entrou em palco e elogiou a escolha da plateia que decidiu comparecer na primeira das três noites no Musicbox, por haver hipótese de não sobrevivência por parte de quem pisa o palco. Estava lançado o mote para a intensidade que se seguiria, e que seria desde logo previsível pelo lema atribuído a esta residência, “Pés de Roque Enrole”. Úria aproveitou a deixa para revisitar o seu fundo de catálogo, incluindo múltiplas malhas construídas com os Velhas Glórias, como «Miúdo», o remédio para a tosse «Grandiloquência do Roque-Enrole» ou «Forças de Bloqueio», com o antigo baterista desse projecto Filipe Sousa a subir ao palanque para dominar a bateria nalgumas destas. Foi a fase de um rock n’ roll a rebolar para o punk rock à anos 90. As composições mais novas também tiveram o seu espaço no alinhamento, tendo boa parte do público testemunhado ao vivo pela primeira vez «Fusão» ou «Mãos» (o momento Santo António de Samuel Úria), lançadas no recente trabalho de estúdio “Marcha Atroz”.

Apesar de rock, o coração do artista também é mole, daí que canções como «Lenço Enxuto» (a canção mais punk que já saiu da sua pena, segundo o próprio) ou «Aeromoço», sempre com um coro popular bastante digno, tenham aparecido nesta primeira noite, servindo igualmente para os músicos abrandarem a pulsação e lograrem alcançar o final do serão.

O encore, requisitado também a altos decibéis por um público que esteve sempre em jogo e desejoso de mais rock, trouxe de tudo um pouco: desde a calmaria sempre prazenteira do mítico «Barbarella e Barba Rala», até à ginga irresistível do fabuloso «É Preciso Que Eu Diminua», culminando com o acto mais rockeiro, ainda que já antigo, desta etapa final «O Tigre Dentes De Sabre».

E, como é teimoso que nem um moleque, Samuel voltou ao local do crime nas duas noites seguintes para repetir o show de rock n’ rol que aqui descrevemos, eventualmente com cambiantes para manter as coisas interessantes, desde logo para os músicos.



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