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Smix Smox Smux

“O nosso querido líder Kim Jong-Il esmagará o Imperialismo Ocidental”. A banda bracarense em discurso directo.

Imaginem um cartaz de propaganda norte-coreana de índole comunista, e rapidamente percebem o título dos Smix Smox Smux. A banda bracarense, que se inspirou fortemente na conjuntura económica do país, prepara um conjunto de concertos para a estação que agora se iniciou. Espectáculos que deverão ter mais instrumentos, uma das grandes diferenças do primeiro para o segundo disco.

É difícil resistir. Começo pelo nome do vosso novo álbum. “Os Gloriosos Smix Smox Smux Derrotarão os Exércitos Capitalistas!” Quais as motivações por detrás deste título?

Queríamos um título que falasse de revolução, com um toque de ironia, e depois tivemos a ideia de usar a imagética da propaganda política norte-coreana para fazer a capa. O título complementa a imagem, como uma legenda de um poster da Coreia do Norte. Em vez de, por exemplo, “O nosso querido líder Kim Jong-Il esmagará o Imperialismo Ocidental” temos “Os Gloriosos Smix Smox Smux Derrotarão os Exércitos Capitalistas!”

Dá a ideia de ser uma espécie de grito de revolta, tendo em conta a actual situação do país…

Raramente aquilo que dizemos é exactamente aquilo que queremos dizer, estamos mais interessados em que cada pessoa construa um significado para o que escrevemos e dizemos, do que em fazer declarações inequívocas acerca de alguma coisa. Portanto, o nosso título tanto pode ser um grito de revolta, como um questionar da utilidade dessa revolta.

A actual conjuntura sócio-económica em Portugal foi uma influência para este novo álbum?

Sim, sem dúvida. É algo que não nos pode deixar indiferentes enquanto criadores.

E musicalmente, houve algo que vos puxou para este “Os Gloriosos Smix Smox Smux Derrotarão os Exércitos Capitalistas!”?

Passámos muito tempo a criar bases instrumentais nos nossos ensaios, sem pensar demasiado no assunto. Fizemos dezenas desses embriões de músicas, e depois elaborámos listas com doze ou treze músicas que fizessem alguma espécie de sentido. Foi na altura de gravar, que começámos a ser mais esquisitos e a pensar naquilo que seria mais particular.

Que diferenças notaram do vosso primeiro disco para este novo registo?

A principal diferença é que acrescentámos muitos instrumentos àqueles que tocamos normalmente. Muitos teclados dos anos 1980, pianos acústicos, harmónio, sintetizadores analógicos, guitarras acústicas, percussão… Procurámos captar uma maior diversidade de emoções nas nossas músicas, também. Mas trata-se de evolução na continuidade.

O que estão a preparar para a divulgação do álbum? O Verão é a época ideal para apresentar as novas músicas ao público português?

Vamos ter alguns concertos de apresentação, durante o mês de Junho, e temos também já alguns concertos marcados para todo o Verão. É uma das melhores épocas para apresentar músicas para qualquer banda, porque é uma altura em que há muitos concertos, devido ao bom tempo e às férias.

Uma das faixas é cantada pelo Adolfo Luxúria Canibal. Quando e porque surgiu esta colaboração?

Foi algo que surgiu durante os nossos ensaios. Criámos um tema para ele, fizemos-lhe o convite e ele aceitou.

Os estúdios do estádio 1º de Maio, em Braga, continuam a ser a vossa casa?

Sim, felizmente, tal como para muitas outras bandas de Braga.

Na altura do lançamento do vosso primeiro álbum, afirmavam que Braga estava um pouco carente de espaços para tocar música, comparando com localidades como Famalicão ou Guimarães. Passados alguns anos, a situação mantém-se?

Sim, é possível marcar concertos em espaços da cidade, mas não existem sítios que procurem activamente ter uma programação de concertos, abaixo da dimensão do Theatro Circo, que é grande demais para um grande número de bandas.

Apesar dessa situação e de estarem longe de Lisboa, há uma forte corrente musical no Norte do País, nomeadamente em Braga e no Porto. Este fenómeno tem alguma explicação?

É normal haver bandas em todo o lado. O que não altera o facto de muitos dos principais intervenientes da indústria musical – agências, promotores, editoras, meios de comunicação, etc – estarem em Lisboa, obrigando as bandas de todo o país a passar por lá, para crescer. É um fenómeno que não é exclusivo da música, provavelmente.

Cantar em português vai continuar a ser uma das premissas dos Smix Smox Smux no futuro?

Sem dúvida.

Continuando na futurologia, daqui a cinco anos, o que estarão os Smix Smox Smux a fazer?

Talvez estejamos a fazer o nosso quarto ou quinto álbum.



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