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Star Fox Zero | Análise

Um regresso muito esperado mas que, tal como está, se faz acompanhar de problemas que o impedem de voar mais alto.

O dia 22 de Abril marcou a chegada de um dos mais antecipados jogos deste ano. Desde que foi anunciado que os fãs não pararam de falar sobre ele, chegando até a ser um dos jogos mais vendidos na Amazon. Pelo menos o elevado número de pré-encomendas assim o indica. Não podia estar a falar de outro jogo senão de Star Fox Zero. Uma vez mais, o intrépido piloto Fox Mcloud, acompanhado pelos restantes membros do seu esquadrão – Falco, Peppy e… Slippy – atravessam a velocidade da luz e aterram na nossa sala, prontos para mais uma aventura. Aventura essa que seguramente será repleta de acção e capaz de conduzir o jogador a momentos memoráveis, sempre no espírito descontraído tão característico da série. Não se tratando de uma prequela, o facto é que não podemos também considerar Star Fox Zero como uma sequela. Sobretudo, este é um título que vem presentear os fãs – há muito desejosos de voltar a pilotar a Arwing contra as forças de Andross – com uma aventura capaz não só de homenagear a fórmula iniciada na Super Nintendo mas também, quem sabe, de voar mais alto do que o inesquecível aprimorar da série conseguido na Nintendo 64 e que tantas saudades deixou a quem o jogou. Teoricamente Star Fox Zero reúne o melhor de dois mundos ao mesmo tempo que deixa espaço para algumas novidades. Mas o que acontece na prática?

Com Andross a espalhar o caos pelo sistema Lylat, cabe ao esquadrão Star Fox pará-lo e restaurar a ordem. À nossa frente está uma campanha que se aproxima das cinco horas de jogo onde, rumo à vitória, vamos atravessar os mais variados cenários, espaciais e terrestres. O regresso a locais como Corneria, Zoness e Titania vai deixar os saudosistas de lágrima no olho e não é para menos. Quem os viu e quem os vê agora, com direito a um grafismo melhorado, contornar os edifícios de Corneria, executando os tradicionais “Barrel Rolls”, continua aliciante, tal como atravessar o deserto de Titania ao comando do poderoso Landmaster. Mas Star Fox Zero tem mais para oferecer do que um simples revisitar de locais conhecidos. Além de novos mapas contem também com mais inimigos e consequentemente novos desafios que irão colocar em cheque as nossas habilidades como piloto da nossa preciosa Arwing.

A acção é frenética, sempre o foi é certo, só que desta vez podemos agradecer à malta da Platinum Games que amavelmente aceitou o convite e deu uma “perninha” no desenvolvimento deste jogo. Além disso também os cenários ajudam a complementar a experiência. Fora os momentos em que a situação nos coloca em situações de “maior aperto” é quando se expandem que assumem toda a sua glória e vale bem a pena explorá-los. Muitos dos níveis que vamos percorrer trazem escondidas várias rotas alternativas e que no calor da batalha nos podem passar despercebidas. Encontrem-nas e preparem-se para ganhar acesso a novas áreas com inimigos mais poderosos ou coleccionáveis. Em certos casos podem até dar de caras com bosses alternativos.

Para responder aos vários desafios com os quais nos vamos deparar é claro que o nosso arsenal não pode ficar aquém. Em terra ou no espaço o nosso veículo tem de se mostrar à altura e em Star Fox Zero não há falta de variedade nesse campo. Consoante o nível em questão e a missão que teremos de levar a cabo, haverá um ou mais veículos que teremos de utilizar. Com o pressionar de um simples botão é bom ver que a jogabilidade assume uma passada diferente ao mudarmos de veículo. Como novidade surge o Gyrowing, uma espécie de drone que iremos utilizar em missões mais sorrateiras e que tem a capacidade de fazer descer um robô com o qual podemos, por exemplo, ganhar acesso a espaços mais fechados e a sistemas de defesa do inimigo. É menos interessante do que parece… De regresso temos a já mencionada Arwing que pode transformar-se no Walker, uma espécie de ave mecânica que pode planar de plataforma em plataforma. De volta está também o poderoso Landmaster que ao transformar-se no Gravmaster vê aumentadas as suas capacidades aéreas.

 

Infelizmente pronta a contrastar com tudo isto isto está a jogabilidade. Se quiserem responder aos incessantes desafios que Star Fox tem para oferecer terão de a dominar e acreditem que vai requerer habituação. A acção do jogo divide-se em dois ecrãs, na televisão podemos ver a nossa nave bem como o cenário e os desafios que a rodeiam. Já no GamePad da Wii U vamos encontrar o cockpit da nave e é com ele que controlamos o disparo das nossas armas. Apontar a olhar para a televisão é em vão na medida em que só recorrendo ao giroscópio do comando é que irão alcançar o mais alto nível de precisão para os vossos disparos. Pessoalmente, apesar de me ter habituado aos poucos, não houve momento algum em que não sentisse falta do sistema clássico da série. Na verdade é pena que não venha incluído esse sistema de jogo para quem, como eu, não é muito fã desta nova abordagem à jogabilidade da série. Com a acção dividida em dois ecrãs, gerir da melhor forma tudo o que se passa à nossa volta não é, de todo, fácil. Mais do que desafiante, certos momentos houve em que a frustração foi inevitável.

Confesso que invejo quem tenha conseguido contornar este aspecto, que para mim será o maior entrave para quem quiser apreciar devidamente o que este jogo tem para oferecer. Ou vai ou racha, quem conseguir contornar este obstáculo terá certamente sido presenteado com uma verdadeira experiência Star Fox neste jogo. Quem não conseguir… No meu caso, a frustração fez-me reparar em pormenores que de outra forma me teriam passado ao lado. Não me teria questionado sobre a pertinência dos Checkpoints ou a falta deles em alguns casos. Caso não tivesse apanhado anéis suficientes, morrer significava começar um nível de início. Não teria reparado em contrastes visuais. Ao percorrer algumas vezes os mesmos cenários deparei-me com locais onde além das melhorias gráficas eram também notórias secções que pareciam não ter saído dos anos 90.

Não obstante se tiverem com quem jogar, este é um aspecto que não terão de contornar, ou que pelo menos será mais fácil de ultrapassar. Isto porque foi a pensar em vós que este sistema de jogo foi pensado. No modo Multi-jogador, Star Fox Zero coloca um jogador, seja com um Wii Mote ou com um Comando Pro Wii U, a controlar a nave enquanto que quem fica com o GamePad assume o controlo das armas do veículo que estiverem a comandar. Tudo fará mais sentido e a feliz comunicação entre os dois pilotos fará com que os confrontos, sobretudo com bosses, tenham outro impacto, certamente mais memorável.

 

Tal como já nos tem vindo a habituar, a Nintendo continua a apostar nas figuras Amiibo e Star Fox Zero não é excepção. Passem Fox Mcloud ou Falco pelo NFC do GamePad e ganhem acesso a duas naves: a Arwing FX, modelo inspirado no que podíamos encontrar no primeiro jogo da série e Black Arwing. Esta última além de conferir uma cor negra a Arwing aumenta também a sua velocidade e poder ofensivo mas cuidado, pois sofre mais dano.

Em teoria não havia como enganar com este regresso tão esperado de Star Fox. Na prática tem muito para oferecer, os cenários são vastos e cheios de caminhos alternativos que se os explorarmos todos conseguiremos alcançar muito mais do que as simples cinco horas de jogo. Vamos voltar a encontrar vilões conhecidos da série e as lutas contra bosses são sem dúvida o ponto alto de Star Fox Zero mas a jogabilidade que temos ao nosso dispor está longe de ser a ideal. Dividida entre dois ecrãs a fluidez do combate é comprometida e só com muito esforço ou no modo Multi-Jogador é que poderão encontrar sentido no vosso regresso a Lylat. Se conseguirem contornar este obstáculo, este é um título que tem muito para vos oferecer. Caso contrário esperemos que, depois deste regresso, o simpático Fox Mcloud não fique tanto tempo sem dar notícias.



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