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Tiago na Toca e os poetas

Poemas musicados.

Não é apenas um álbum. É para ouvir e para ler. Tiago Betencourt tirou do baú os poemas dos seus escritores preferidos e conferiu-lhes uns acordes, trouxe-os para o mundo musical. E assim nasceu “Tiago na toca”… para se ouvir, tocar e folhear.

“Tiago na toca” foi um projecto, efectivamente, projectado?

É um projecto que foi acontecendo sem prazos ou compromissos. Foi projectado no sentido em que quis juntar uma série de poemas e musica-los mas na verdade não foi planeado estrategicamente.

Porquê “na toca”?

A “toca” é um sitio mais privado. Ao contrário de um CD gravado em estúdio este álbum foi gravado em casa, na ZDB ou em casa de amigos, ou seja, não há o filtro da produção que é usual em qualquer álbum.

“Será o que for, nas alturas em que acontecer, como tiver que acontecer.” É mesmo assim?

Neste álbum aproveitei muito o acaso, ou seja, quando se toca uma música muitas vezes há o perigo de se perder o que se pode chamar de primeiro instinto em termos de interpretação. Nem sempre é o mais verdadeiro mas foi o que eu escolhi usar neste trabalho. Não existiram pautas ou ensaios antes das gravações, é usada a musicalidade natural de cada convidado e por consequência a minha também.

Em que te baseaste para a escolha destes poemas?

Em nada de concreto. São poemas que me disseram qualquer coisa na altura em que os li, se calhar se passasse nos mesmo livros hoje outros haveriam de me tocar.

Como foi o processo de pesquisa (dos poemas)?

Fui lendo livros de poetas que gosto, fui marcando poemas e acabei com esta selecção.

Afirmaste que “é um álbum discreto, sereno, como um segredo”. Podes desvendar o segredo?

Há quem não goste muito deste lado mais cru das gravações. Este segredo que somos sem as arestas limadas. Eu gosto de por vezes mostrar este lado, mostrar o músico por detrás do instrumento, sugerir espaços, cenários. Tudo isto cativa a imaginação e sensibilidade de quem está a ouvir.

Cada poema tem o relato da sua gravação. Porque quiseste incluir esse pormenor?

Quis trazer de volta uma coisa que já não se usa muito e que é das coisas que mais gosto de fazer: comprar um álbum, sentar-me na sala e ouvi-lo enquanto o leio. É um processo de pausa que com o shuffle dos dias que correm se perde muito.

“O Tiago na toca deixou de ser apenas um álbum de música e passou a ser um objecto único, limitado, especial.” Especial?

O Mário Belém criou para o Tiago na Toca um livro único, muito bem ilustrado. Um livro com toque, com cheiro. Não se trata só de um álbum mas sim de um objecto humano, para se tocar, folhear, um livro para fazer parte de uma casa e sim, espero que especial.



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