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TIN Conference – Reportagem

A conferência sobre tendências, inovação e neuromarketing aconteceu dia 29 de Setembro em Lisboa

A primeira edição da TIN Conference teve lugar no Campus Universitário da Ameixoeira (INP/ISG), em Lisboa, dia 29 de Setembro. Os profissionais interessados em Tendências do Comportamento do Consumidor, Inovação e NeuroMarketing puderam assistir às talks de Miguel Gonçalves, Carl Rhode, Rui Ventura, Fernando Rodrigues, entre outros.

A conferência começou energeticamente com a talk de Miguel Gonçalves, “o grande empreendedor português”, como lhe chama Hugo Soares, organizador da TIN. Miguel Gonçalves, conhecido pelas suas TED talks ou pela SparkAgency, veio partilhar com a audiência a sua recente experiência em Silicon Valley – o maior ecossistema de startups nos EUA. Visitou o Facebook e Google e percebeu que os portugueses não têm menos capacidades técnicas que os Americanos, mas falta-lhes intencionalidade. Naquele ecossistema as pessoas fazem negócio rápido seguindo o lema “done is better than perfect”, enquanto que os portugueses pretendem atingir a perfeição antes do lançamento no mercado. O problema é a calma portuguesa, é o não dar tudo por tudo, é não entregar a alma. Miguel Gonçalves respondeu à crónica de Ricardo Araújo Pereira afirmando: Work hard, Play harder – trabalha 12 horas por dia para no fim-de-semana desfrutares a sério.

O mundialmente conhecido Carl Rhode, sociólogo cultural e observador de tendências, dá workshops em todo o mundo. O último foi em Lisboa para 20 conferencistas TIN. A sua talk foi essencialmente sobre Cool Hunting. Mostrou os problemas que a Europa e América do Norte estão e vão enfrentar com a frase “Now the world is flat”, contrariando a antiga forma pirâmidesca onde estavam no topo. Usou o exemplo dos seus workshops na China para mostrar que os Chineses têm um problema cultural em ser criativos, devido ao constante medo de falhar. Rhode apontou esta como a vantagem competitiva do ocidente: a criatividade e a inovação, a criação de experiências.

 

Rui Ventura, Presidente da APPM, veio-nos falar de tendências, oportunidades e de dois processos de evolução e inovação: o engraxador e o bigode. A talk veio também desmistificar alguns factos e mitos, como “a criatividade é um processo solitário”. Na verdade, na criatividade não há espaço para individualismos. Rui previu que, na óptica do consumidor de informação, a economia do Pull vai predominar sobre a economia do Push: “a TV tem o seu fim à vista”, pois qualquer utilizador pode intervir na produção de conteúdos.

O formador nacional e internacional em NeuroMarketing, Fernando Rodrigues, começou a sua cativante talk afirmando que apenas 2 em 10 novos produtos atingem o seu objectivo; de 10 anúncios televisivos só 4 atingem as expectativas dos consumidores; e que apenas 7% dos consumidores acredita na publicidade! Aliado a isto, o CEO da PsicoSoma explicou que 95% das decisões de compra são subconscientes. Isto significa que é importante perceber o que influencia essas decisões de compra inconscientes. A degustação de chocolate antes da compra foi uma razão apresentada, tal como a música, o cheiro, a cor vermelha, a forma arredondada e produtos que saibam tirar uso da transferência semiótica. O NeuroMarketing também ajuda a perceber se o preço de um serviço está demasiado baixo ou elevado, indicando à marca o preço ideal. O NeuroMarketing faz ainda mais sentido visto que “as estatísticas são como os biquínis: mostram tudo, menos o essencial”, pois a pessoa não sabe avaliar conscientemente se acha um produto demasiado barato, por exemplo.

Estas foram as talks que se destacaram em termos de relevância de conteúdo e oratória. Mas também as outras puxaram temáticas muito interessantes para o debate. Foram elas:

Salomé Areias, analista e consultora de tendências, veio praticar um bocadinho de futurologia afirmando que a Geração Y não gosta de comprar (é preferível o acesso e partilha em vez da posse), que os Millennials confiam mais nas pessoas que nas marcas e que Luxo é viver experiências.

 

Pedro Oliveira trabalha numa agência que combina planeamento estratégico, etnografia e co-criação com clientes. Para ele, os Focus Groups dizem pouco da realidade e para percebê-la prefere dialogar e viver (literalmente) com os consumidores. Este estudo qualitativo é diferente dos outros pois permite que as famílias baixem as suas defesas e se sintam à vontade para partilhar verdades com Pedro, que de outra forma não teria acesso. O objectivo é que Pedro trabalhe estes insights e os apresente aos seus clientes.

Diana Carriço, formada em Design de Produto e especializada em Cool Hunting, explicou alguns fundamentos do design e problemas comuns na comunicação de marcas. Terminou a sua exposição com a apresentação de alguns produtos diferentes e interessantes.

Alexandra Quadros, formada em Ciências Psicológicas e com muita experiência em agências de comunicação e media, estimulou o debate sobre Transmedia Storytelling. Principalmente, da mudança de publicidade tradicional para o digital. A ideia é que são mais eficazes e captam a atenção de mais públicos as estórias contadas através de múltiplos meios, pois expandem a narrativa em diferentes linguagens.

Soumodip Sarkar, especialista em inovação e empreendedorismo, trouxe de forma mais académica até à plateia as características de um produto inovador: algo que cria valor, que dá resultados e que é sustentável no sentido de não ser um one act wonder.

Bem organizada, com bons oradores e parcerias, a TIN Conference contou com mais de 100 participantes, um número bastante satisfatório para uma primeira edição.



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