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Uniforms for the Dedicated

Os putos do país do IKEA.

A primeira década deste novo milénio fica marcada pelo surgir de muitas marcas oriundas da Suécia. Fifth Avenue Shoe Repair, House of Dagmar, Sandra Backlund, MO’CYCLE, Hope, WESC, Cheap Monday, H&M, Lamilla, Minimarket, ACNE e J. Lindeberg tomaram conta do mercado e colocam a cidade de Estocolmo na rota das capitais da moda da década que aí vem.

Apontamos algumas teorias que podem explicar o fenómeno. A influência da crise económica alterou os comportamentos dos consumidores de moda: deixámos de admirar as extravagâncias inatingíveis e começámos a prestar mais atenção aos novos designers e marcas. Ou não é nada disto, e de qualquer forma a moda iria ao encontro do “elegant bohemian” nórdico e da personificação do anti-fashion.

Fredrik Wikholm avança com uma teoria: “Somos os putos do país do design IKEA, e isso ajuda-nos na forma e na funcionalidade”. Lars Hedberg acrescenta mais uma hipótese: “Há a necessidade de ocupar a mente durante os períodos mais escuros do ano”. Atenção, Wikholm e Hedberg sabem do que falam. Para além de sentirem na pele as noites intermináveis do inverno nórdico, eles fazem parte da mais recente coqueluche sueca – Uniforms For The Dedicated. O colectivo fica completo com Mike Lindh, Jonas Rathsman e Erik Olsson.

No início, os cinco rapazes apenas viajavam juntos para fazer snowboard. Nessa altura, corria o ano de 2001, já se auto-denominavam de Uniforms For The Dedicated. “O nome refere-se a um estado de espírito em que fazes tudo para realizar um sonho”, justifica Hedberg. E se o sonho passava por continuarem juntos, encontraram na moda a disciplina que uniria todas as áreas criativas a que queriam estar associados: música, ilustração, design, arte e vídeo.

Em termos práticos, o trabalho dos rapazes que o snowboard juntou converge na produção de uma colecção de Homem por estação, com respectivos vídeo e banda sonora, tudo sobre a batuta do mesmo conceito. As propostas da marca assentam sobretudo no redesign de grandes clássicos (camisas, malhas, blazers e jeans), dando origem a versões frescas, bem ao estilo arty dos jovens do norte da Europa e muito bem sustentadas por toda a envolvência da marca.

A primeira colecção, “Street Circus”, foi apresentada no verão de 2008. No inverno do mesmo ano a marca lançou “Underground Loop”, colecção inspirada no movimento dos amantes de ping-pong que jogavam em loop à volta da mesa de ténis, ao som de música eletrónica. Neste primeiro ano o Swedish Fashion Council atribuiu-lhes o «Rookie of the Year», prémio que destaca os novos talentos do design de moda sueco.

No verão seguinte, “Sound Effects” teve como base do processo criativo as emoções causadas pela música. A colecção incluía um EP que acompanhava algumas das peças de roupa numa pen USB. Para além dos membros do colectivo, nele participaram alguns dos novos nomes da música de dança sueca: Adrian Lux, The Touch e o produtor da casa JayAre.

“A Play Of Nonsense” (inverno 2009) inspira-se na literatura de Lewis Carroll, o autor de Alice no País das Maravilhas, e na ideia de transpor o imaginário para a realidade. Foram eleitos os newcomers do ano pela prestigiada revista sueca Cafe.

“1020 Trickery Lane” é a colecção que agora entra nas lojas e assenta na ideia de que as coisas nem sempre são aquilo que parecem ser. Este conceito é transposto para as peças sem que estas se tornem disfuncionais.

Quando começaram a desenvolver a primeira colecção, os rapazes  não tinham qualquer conhecimento de moda e de processos de produção. “Estamos constantemente a cometer erros, mas sem eles não seríamos o que somos hoje, foi dessa forma que progredimos”, assume Fredrik Wikholm em entrevista ao sítio Hypebeast. Hoje são já 20 as pessoas que trabalham no mesmo espaço em música, moda, arte e vídeo. De erro em erro…



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