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We are standard

Alex Turner não mora aqui...

Ao segundo disco, os We Are Standard assumem-se como um dos valores seguros da cena musical espanhola. Mas não prestam muita atenção ao país natal e preferem olhar para o mercado internacional, com os Estados Unidos da América à cabeça, onde lançaram recentemente o novo trabalho. Qualquer semelhança com grupos como os Arctic Monkeys, é pura coincidência, admitem…

Acharam uma “parvoíce” o álbum novo, preparam-se para uma longa digressão que os trará a Portugal no início de Fevereiro. E, confiam eles, os outros elementos do grupo – para dentro, que para fora não gostam de deitar o que pensam -, é o regresso de Alex Turner depois da aventura “The Last Shadow Puppets” com Miles Kane (que gostou tanto, mas tanto de Alex Turner que decidiu terminar com a sua banda, The Rascals – pelo menos assim o imaginamos!).

“Humbug”, concertos em Portugal, sons rock indie, Alex Turner e o seu penteado inconfundível, camisetas justas e golas aprumadas, calças de ganga, blá, blá, blá… Esqueçam. Esqueçam o que disse. Esqueçam o que se disse atrás. Quando estiverem em frente deles, nunca mencionem os Arctic Monkeys, Alex Turner ou “Humbug” ou sequer comparem o som deles, de Alex Turner, dos Arctic Monkeys ou de “Humbug” ao deles (apesar de também usarem camisetas curtas e justas e golas e calças de ganga e blá blá blá…).

“Quando começamos comparavam-nos aos Happy Mondays e Arctic Monkeys”, começa. A reacção, numa palavra, às críticas da altura: “ridículo”. Sem pejo ou medo de Alex Turner. A isso respondem eles: “We Are Standard”. We-Are-Standard (parece que os vemos numa luta de galos, a ver qual dos dois é o melhor e sai vencedor).

Andy Gill, o produtor improvável

Entre os Arctic Monkeys e os We Are Standard existe(m), assim, uma(s) grande(s) diferença(s): 1. Se os primeiros têm já uma carreira forte no mercado  internacional, os segundos estão ainda a tentar entrar no “Grande Bazar”; 2. Se os primeiros vão já no terceiro álbum de estúdio, os segundos avançam timidamente com o segundo de originais.; 3. Se os primeiros ganharam tantos prémios que já nao têm lugar para os colocar, os segundos ainda ostentam, com convicção, os poucos prémios recebidos e guardados a um canto do quarto; 4. Se os primeiros são britânicos, os segundos são espanhóis. Mesmo assim, preferimos os segundos aos primeiros. WE-ARE-STANDARD. Tal como eles.

À primeira pergunta (muitos concertos, banda do momento, como se sentem com o sucesso…), a resposta de Deu Txakartegi, o vocalista e baixista, é esclarecedora: “Bien, como iba a sentarnos mal algo así? Estamos contentos de como va el verano y de como estamos creciendo”.

São a banda do momento (a frase é nossa!), actuaram em grande parte dos festivais espanhóis neste verão, e com isso vão crescendo cada vez mais. Tudo graças ao mais recente “We Are Standard”, o segundo e homónimo disco lançado no final do ano passado, com produção de luxo: Andy Gill, elemento dos míticos e esfuziantes Gang of Four. “Com o Andy foi muito fácil, convidamo-lo a vir a Bilbau [cidade de origem do grupo] através de um amigo, viu, gostou do nosso concerto e depois fomos jantar. No fim do jantar estavamos já a planificar as sessões de gravação. Foi muito importante gravar com ele, ensinou-nos e ajudou-nos muito a nível da voz e melodias”, esclarece Deu.

2006, We Are Standard

As melodias, essas, são marcadamente rock, com laivos de electrónicas disformes, batidas frenéticas, bateria, corpos dançando ao ritmo de letras destravadas. “I’m glad to be young, glad to be here, //I’ll show you the ropes you don’t have to fear. //Won’t be severe, just try to breathe, //and make your moves mean it” [“The first girl who got a kiss without a please”].

“Começamos a misturar estes sons [rock, electrónica…] em 2000 com outro grupo que tínhamos em Pamplona, porque gostávamos do rock de toda a vida mas também gostavamos de sair e dançar. Suponho que ao misturar tudo nos saiu isto”, relativiza Txakartegi.

E foi em Pamplona que avançaram para este projecto. “Eu e o DW Farringdon estudávamos lá, antes tivemos dois grupos. O Juan [Escribano] também estudou connosco e tinha outros grupos. Ao terminar o curso e regressar a Bilbau, decidimos continuar a tocar, por prazer, estivemos dois anos sem fazer concertos e nunca pensamos que podiamos mais tarde assinar por uma editora e que iríamos ganhar um concurso”. Iam tocando e bebendo cervejas até que decidem gravar uma pequena maquete. Reuniram mais amigos, uns com jeito para as teclas, outro para a bateria. “E foi aí que tudo ‘disparou’. O primeiro concerto foi em Bilbau, o segundo foi para a final do projecto Demo, um concurso do FIB, Radio 3 e outras grandes empresas”. Que acabaram por ganhar e que lhes possibilitou concertos na televisão, “foi vertiginoso e divertido”.. Estávamos em Maio. O resto, sintetiza numa frase rápida: “Em Outubro assinamos contrato com a Mushroom Pillow e em Dezembro gravamos o primeiro disco, 3.000V 40.000W”. 2006, o ano dos We Are Standard.

Rock em inglês

Hoje, com cinco elementos, dois álbuns editados, alguma imprensa internacional com olhos postos na sua música, só têm um interesse: a internacionalização. “Queremos ser grandes, competir com os grandes grupos da cena musical internacional”. E Espanha? “Não nos interessa muito a cena musical espanhola. Não creio que sejamos parte de nenhuma cena ou movida. Somos de Bilbau e não temos qualquer contacto com a cena de Madrid e Barcelona”.

O que lhes interessa é fazer mais e melhor, actuar no estrangeiro, e por isso a opção por cantar em inglês: “Cantamos em inglês porque gostamos e porque nos sai dos ‘cojones’ [preferimos não traduzir a palavra anterior, sob pena de ferir as susceptibilidades dos mais sensíveis]. Pensamos que o rock tem um idioma, como o flamenco não se canta em alemão e os fados em japonês”. As convicções de Deu.
Aliás, as infuencias são em inglês, “Beatles, Stones e Dylan, passando pelos Can, Neu!, Kraftwerk, até Happy Mondays, Primal Scream, Jesus an Mary Chain”. Mais novinhos, “Death in Vegas, !!!, LCD Soundsystem, Phoenix”.

Disco e concertos

Por agora, disco na rua, “We Are Standard”, que antes se chamaram “Standard”,  concertos, concertos, concertos… E na pausa, uma playlist ideal:

“’Yeah’, dos LCD Soundsystem;
‘Me and Giuliani Down By The Schoolyard’, dos !!!;
‘Standing In The Way Of Control’, The Gossip;
‘Consolation Prizes’, Phoenix; e
‘Cigarrettes and Chocolate Milk’, de Rufus Wainwright”.
Os melhores dos anos 00 para Deu Txakargeti, vocalista, baixista, We Are Standard. Acreditamos que tudo saiu “de los cojones”. Tal como a sua música.



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