Teatro Rápido Março 2014

Teatro Rápido | Março 2014

"Isso" de ser actor

No mês em que se assinala o Dia do Teatro (27 de Março), o Teatro Rápido (TR) apresenta quatro propostas cheias de “pó de palco”. Num espaço onde as salas não conhecem sequer um palco físico, nem a “quarta parede”, os actores, encenadores, cenógrafos, argumentistas e criadores brindam-nos com quatro olhares diferentes sobre “isso” de ser actor.

Day by Days – no palco da vida traz a cena Abel Dias, com um monólogo divertido e descontraído sobre o passado. A encenação é assumida por Miguel Dias. Na sala 1 podemos conhecer algumas das memórias reais de Abel, transpostas para cena através de fotografias, de objectos, de brindes que se partilham com o público. Trata-se da história de um actor que, encontrando-se sem trabalho, resolve abrir a porta da sua casa – de memórias – ao público. Não se trata de uma viagem amargurada, mas acima de tudo de uma celebração: «na vida sofre-se muito, mas também se curte».

O que cabe dentro de uma cabeça? – é a pergunta que lança Miguel Ponte. Nu Palco marca o regresso do actor ao TR, precisamente um ano depois de se apresentar, lado a lado com Ricardo Tavares, com Folhas e não Credos. Desta vez, Miguel assume um monólogo, bem como a encenação, a cenografia e toda a criação do espectáculo. Entre o caos e a ordem, os espectadores são convidados a desligar as suas próprias cabeças, para mergulharem na cabeça do actor. Aqui, na sala 2, podem encontrar um mural, uma caixa com cartas de amor, recordações em forma de fotografias, registos de música – e sobretudo um jovem actor e autor que revela uma maturidade incomum para os 21 anos denunciados pelo seu cartão de cidadão.

Faz qualquer coisa é uma co-criação de Sara Gonçalves, Sílvia Barbeiro e Fátima Ribeiro. Na sala 3 podemos assistir a uma audição, um casting, por parte uma actriz a quem simplesmente lhe pedem para “fazer qualquer coisa”. «É a minha profissão procurar trabalho» – é assim que a personagem descreve a profissão de actor. As actrizes alternam os dois papéis, com encenação e marcação diferentes. Uma oportunidade de ver o mesmo trabalho, sob perspectivas diferentes, num desafio diário para as actrizes em cena.

O Hotel São Carlos apresenta-nos um texto de Armando Nascimento Rosa, com as interpretações de Diogo Tavares e Paula Só. Alexandre Tavares assina a encenação e a cenografia com a originalidade que já conhecemos de peças como Cigano de Lisboa e Um bocado de carne, que também estiveram em cena no TR. Uma cantora, Eleonora, reune-se com um homem, no mítico e decadente Hotel São Carlos. Tratar-se-á de um fã? De uma proposta de trabalho? E que papel cabe ao público? Hotel São Carlos envolve-nos numa dança onde a palavra de Armando, a interpretação de Paula e Diogo e o ambiente criado pela cenografia de Alexandre fazem deste trabalho uma das peças de microteatro mais bem bem conseguidas. Um verdadeiro “must see”.

Assim é o Pó de Palco: Março de 2014 assinala o regresso ao TR de Sara Gonçalves, Miguel Ponte, Armando Nascimento Rosa, Diogo Tavares e Alexandre Tavares e as estreias de outros artistas nestas andanças do TR. Todos eles levam a cabo uma belíssima homenagem ao teatro, com as suas criações e prestações nos (inexistentes) palcos das quatro salas da Rua Serpa Pinto, 14.

Para os mais pequenos, também há teatro! A Companhia Trupilariante está de volta e promete uma viagem pelo mundo do espectáculo, uma espécie de visita guiada, pela mão do Sr, Manel e da Dona Berta: o contra regra e a costureira.

No TR Bar há mais teatro: as suas paredes foram “invadidas” pelas fotografias de cena de Ana Lopes Gomes, que expõe momentos de peças que marcaram os últimos anos do teatro português.

Recordamos que o TR tem as suas portas abertas de quinta a segunda, a partir das 18h. Cada bilhete custa 3€ e há a possibilidade de ver as quatro peças por apenas 10€.

Para conhecer em detalhe a programação do TR e do TR Bar, aconselhamos uma visita ao facebook e ao blogspot

 



Também poderás gostar


Pin It on Pinterest

Share This