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Alberto Sogorb

"Gosto muito de Lisboa; para mim, significa liberdade"

N’O Regresso, o Teatro Rápido (TR) apresenta ao público o seu primeiro musical erótico. O projecto foi apresentado por Alberto Sogorb, um jovem espanhol que  nos convida a ouvir a história da sua vida. Sim, esta peça é baseada em factos reais.

«O meu teatro é o teatro musical», diz-nos Alberto Sogorb, 26 anos, actor. Esteve no Teatro Rápido (TR) em Maio do ano passado, com a peça “Abortodas”, onde assumiu a autoria do texto. A sua passagem por Lisboa durante um ano, relacionava-se com  uma experiência de Erasmus, onde aproveitou para viver a luz da cidade, para além de experimentar outras formas de criação e de aprendizagem, ao nível do teatro. Antes de regressar ao país de origem, Alberto entregou um projecto de teatro musical erótico, no TR, no âmbito do tema Regresso. A proposta foi aceite e o actor  teve oportunidade de voltar a Lisboa e de trabalhar com Martim Pedroso, que contribuiu para o desenvolvimento artístico deste projecto autobiográfico. Começou a trabalhar neste projecto em meados de Agosto: «O texto foi modificado ao longo do processo e a ajuda do Martim foi fundamental», disse-nos Alberto. No processo de ensaios, foi nascendo a personagem, Lola.

“Lola, la ‘spanhola” é um texto escrito na primeira pessoa e, mais do que tudo, vivido pela pessoa que o escreveu: Alberto, um jovem de sorriso largo que nos recebe na sala 4 do TR para nos confessar coisas que talvez nunca tenha contado ao seu pai ou à sua mãe.

A peça assume-se como uma procura de emprego: sim, Alberto procura trabalho, na área do teatro. «Aqui encontro um inconveniente, a língua. Não há papéis para mim, a não ser o do espanhol ou papeís onde não tenho que dizer nada».

Foi com felicidade que regressou, em meados de Agosto, a Lisboa, para preparar a peça com tempo. «O texto foi modificado ao longo do processo e a ajuda do Martim foi fundamental», disse-nos Alberto. No processo de ensaios, foi construindo a personagem, Lola.

E como é que tem sido a reacção do público à Lola? «Cada pessoa reage de forma diferente. Eu sou a Lola, num espaço muito pequeno, numa espécie de montra e vejo, sinto, de imediato a forma como as pessoas recebem este trabalho.»  Alberto descreve o seu público como «muito aberto e receptivo». O espaço peculiar do TR permite que o calor do público se sinta dentro do “palco” – que, no TR, não é propriamente um palco convencional.

Perguntar quem é a Lola é, de certa forma, perguntar quem é Alberto. Trata-se de um rapaz que vive preso a uma família, a um mundo, que constantemente lhe pede e pergunta pela namorada que ele nunca vai ter. E a peça toca várias vezes a questão da incompreensão familiar perante a homossexualidade do filho. É a estória de Alberto, mas também de muitos jovens – rapazes e raparigas – que lidam com a descoberta da sua homossexualidade e com a partilha dessa descoberta com a família.

Pela forma aberta como decorreu a nossa conversa, não resistimos a perguntar a Alberto como é que a família recebeu este trabalho: «Sei que o meu pai leu uma entrevista que dei em que explicava muito daquilo que sinto e que expresso na peça. Vi que ele fez like na página do TR, onde essa entrevista foi partilhada, mas não falámos sobre o assunto. A minha família pediu-me para gravar a peça, querem ver , mas não sei se vão gostar», confessa Alberto.

Neste momento, o jovem actor vive «um momento muito bom na minha vida», conta-nos. Recebeu  uma proposta de trabalho que o vai levar até à China, durante quatro meses. Está feliz, pela oportunidade de viajar, de conhecer pessoas e, sobretudo, de crescer como actor.

«Gosto muito de Lisboa; para mim significa liberdade. As pessoas são muito amáveis comigo. O clima é parecido com o de Espanha, mas tenho aqui uma liberdade que não vivo em casa. E os homens são muito bonitos!», acrescenta Alberto. E  eu – permitam-me usar a primeira pessoa do singular – só posso concordar com o Alberto.



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