Anos 80 – uma Topologia

E bibòs Eighties! Para descobrir em Serralves.

Os 80´s estão de volta. Depois da música e vestuário, é a vez desta década “infame”, da qual muitos de nós apenas guardamos memória de guarda-roupas vergonhosos e “permanentes” infelizes, atacar os nossos museus. Sim, porque vendo bem, já passaram vinte aninhos e já estava na altura de compreender o estado das artes plásticas nos anos oitenta, época pobremente debatida nas aulas de história de arte dos liceus nacionais.

A exposição Anos 80: Uma Topologia está no Museu de Arte Contemporânea de Serralves desde o passado mês de Novembro, ocupando uma área expositiva de 4000m2. Trata-se assim de uma das maiores exposições apresentadas no Museu, integrando cerca de 250 obras de referência de 73 artistas de todo o mundo.

A escolha dos anos 80 em particular prende-se com o facto de esta ter sido uma década marcante para o mundo, já que se assistiram a mudanças importantes nos campos político, social e cultural. Foram estes momentos cruciais que construíram a nossa vivência actual.

A mostra representa uma selecção da arte dos anos 80 feita pelos comissários Ulrich Loock, (director de 1985 a 1997, do Kunsthalle de Berna, na Suíça, um dos centros artísticos mais activos da vanguarda artística da época), e Sandra Guimarães e revela-nos pinturas, esculturas, fotografias e instalações desta época.

Anos 80: Uma Topologia divide-se em núcleos geográficos procurando, simultaneamente, focar aspectos importantes da produção artística daquela década. A exposição destaca obras de arte que procuram reflectir o impacto dos anos 80 – obras que vieram revelar um certo cepticismo, mais do que afirmar novas convicções ou reacções provocatórias face ao período que as antecedeu. Por isso mesmo, a escolha das peças presentes nesta exposição pode gerar uma certa controvérsia, pois várias peças que gozaram de elevada visibilidade e notoriedade nos anos 80 ficaram de fora desta mostra.

A mostra integra obras, entre outros, de Reinhard Mucha, Jean-Michel Basquiat, Martin Kippenberger, Katharina Fritsch, Cindy Sherman, Jimmir Durham e Ilya Kabakov. Destaque ainda para os cinco artistas presentes: Pedro Cabrita Reis, José Pedro Croft, Ana Jotta, Rui Sanches e Julião Sarmento.

Destaque RdB

A lista de artistas patentes em Anos 80: uma Topologia, é extremamente rica e extensa, por isso, para aguçarmos os apetites culturais, limitamo-nos a apresentar pequenas biografias de dois representantes da década.

Cindy Sherman

Cindy Sherman nasceu em 1954, em Glen Ridge, New Jersey, e vive em New York.  No início, abordava estilisticamente a estética dos filmes americanos dos anos 50. Depois desta primeira fase, voltou-se para a fotografia a cores e, aqui, quebrou os padrões usuais da fotografia tradicional. Mais recentemente, tem criado uma série de fotografias de moda em que combina este tema, de forma verdadeiramente grotesca, com modelos bizarros e ridículos. O resultado transforma a ideia da fotografia de moda – apresentar roupas de formas atractivas com mulheres estereotipadas.

Julião Sarmento

Julião Sarmento é um dos artistas portugueses contemporâneos de maior relevo e projecção. Nasceu em 1948, vivendo e trabalhando no Estoril. O seu percurso iniciou-se pela pintura, tendo vindo a utilizar o vídeo, o filme, a fotografia e a escultura, bem como o desenho. O artista utiliza um conjunto de temas que se repetem, quase como obsessões que atravessam todo o seu trabalho. Em primeiro lugar, o sexo (ou, mais explicitamente, o desejo) representado nos corpos que, umas vezes de forma explícita, outras subtilmente sugerida, se dirigem aos nossos fantasmas mais recônditos.
Apresentou o seu trabalho nos mais importantes museus portugueses, bem como em instituições internacionais de grande prestígio, quer na Europa, quer nos Estados Unidos da América.



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