“Café Patita” | Patrícia Furtado

“Café Patita” | Patrícia Furtado

Meter as mãos na massa será inevitável

Se na Rua de Baixo atribuíssemos um prémio ao livro mais bonito que nos passou pelas mãos em 2013, muito provavelmente a escolha iria recair em “Café Patita” (Divina Comédia, 2013), cozinhado, desenhado, fotografado e ilustrado por Patrícia Furtado.

E quando falamos em cozinhado a coisa é para ser levada à letra, já que o Café representa a cozinha de Patrícia; umlugar, nas palavras da própria, «para onde me escapo nos meus intervalos de ilustradora e designer.»

Mistura de diário de cozinha literário – com muita alma e espírito de contadora de histórias –  e livro de receitas místico, “Café Patita” abarca em exclusivo o tentador universo da doçaria, num triângulo que tem como vértices açucarados os doces, os bolos e as sobremesas.

Com capítulos tão sugestivos como “Ena, somos tantos!”, “De mãos a abanar é que não” ou “Juizinho”, Patrícia Furtado abre-nos as portas do seu café e apresenta-nos receitas que, se não provocarem o aparecimento de água na boca de quem as lê, é sinal de que haverá um problema muito estranho no que diz respeito à volúpia da tentação.

“Café Patita” | Patrícia Furtado

É um daqueles livros que apetece ter na mão por serem tão perfeitos: as histórias que Patrícia nos conta são extraordinárias, misturando vivências familiares, episódios pessoais, curiosidades gastronómicas ou referências televisivas; as receitas são-nos como que sussurradas ao ouvido e, mesmo quem não mostre jeito para a cozinha, sentir-se-à tentado a meter as mãos na massa; o arranjo gráfico, juntando fotografias e ilustrações incríveis a uma paleta de cores e pormenores de excelência, é de facto do melhor que poderemos encontrar por aí, fazendo deste qualquer coisa como um livro de arte culinária com histórias de encantar e receitas lá dentro.

No texto de apresentação, Patrícia Furtado diz-nos que «O Café Patita está sempre aberto aos amigos e agora, com este livro, ao mundo.» Pena que não exista fisicamente, para podermos fazer de cada dia um hino à tentação.

 

P.S.: Alguém nos arranja o telefone da Patrícia Furtado para forjarmos uma amizade que nos garanta o acesso à sua cozinha, com direito a chá e bolinhos?



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