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“Correr o Fado”

Quorum Ballet em Alcobaça.

Estava um pouco reticente quanto a este espectáculo. Confesso que fui por ser a única opção na cidade de Alcobaça. Estranhei o nome “Correr o Fado” e desconfiei por saber que tinha água envolvida.

O espectáculo começou e eu não me apercebi, de um dos corredores da plateia vi um homem a passar, homem esse que tentei ignorar. Espantou-me por subir ao palco e ser um dos membros, a intenção certa, o passo, a velocidade, tudo estava realmente certo.

A música começou e a alegria e cor encheram o palco, o cenário ideal, simples e bonito, os bailarinos… parecia que tudo batia certo. Inquietava-me aquele cenário, de uma forma positiva, queria compreendê-lo, perceber como estava montado, como se fosse um enigma… Pareciam cubos que saíam uns dos outros, sabia que era ilusão, só não sabia como.

A verdade é que os bailarinos provocavam em mim coisas de mais para me perder a pensar no cenário. Constantemente faziam-me surpreender e alimentavam-me o desejo e a minha imaginação, sem dar por isso. A energia não faltou, aliás nada do que o fado tem faltou ali, nada. E quero deixar claro, que sou uma amante deste género musical.

Era aliciante vê-los a mexerem-se, a dançar, a observarem-se uns aos outros… era deliciante ouvir as músicas e ver as cabeças do público da frente abanarem ao ritmo da música. Mais aliciante era sentir cumplicidade com os bailarinos, como se eles dessem vida ao meu corpo, como se levassem o meu corpo para dançar com eles…

Tudo batia certo, sempre. Sentia-me espantada comigo própria por estar tão satisfeita com aquele espectáculo. Cheguei a pensar “quando vier a água vai estragar tudo”, e estava tão enganada. Os efeitos da água foram maravilhosos, não exageraram em nada, e usaram-nos de forma correcta.

Depois de inaugurar o rectângulo maior, a bailarina, que foi a minha preferida, termina essa dança no fundo, e a sua figura a sair daquela banheira sem estragar nada do que tinha feito conseguiu supreender-me mais uma vez, pela calma e o perfeccionismo. Perfeitamente certa, saiu por entre aquele cenário que me inquietava, dando-me a entender que aquilo não eram mais do que várias fitas de plástico.

Foi um espectáculo completo, todos juntos, só os homens, com uma força e um poder, de fazer dar um passo atrás… as mulheres faziam dar um passo à frente com tanta sensualidade, e beleza simples. Foram os duetos que para mim identificavam o que mais se canta no Fado. Os desamores, a dor, o amor, a saudade, tudo o que o Fado consegue conter…

Não senti falta de nada neste espectáculo, e talvez por ser o meu Fado preferido, o “Barco Negro”, arrepiou-me. Acredito que existam mais mil maneiras de o dançar, mas confesso que em nenhuma altura consegui pensar nelas, ou modificar a forma como foi coreografada, não consegui… Parabéns Daniel Cardoso.

A verdade é que o tempo é que passou a correr enquanto vi “Correr o Fado”. Obrigada Daniel Cardoso, Elson Ferreira, Filipe Narciso, Gonçalo Andrade, Inês Godinho, Inês Pedruco, Mathilde Gilhet e Theresa da Silva C, a todos por me ajudarem a aprender a gostar cada vez mais de Dança.

Fiquei satisfeita comigo, por ter ido ao espectáculo. Desilude-me ver aquele cine-teatro sempre meio vazio, principalmente em espectáculos que não mereciam, como este.



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