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Cut Copy @ Coliseu dos Recreios 23.03.2011

Mais uma morna noite de quarta-feira.

Para a maioria das pessoas, as noites de quarta-feira passam-se em casa, debaixo de uma mantinha, a ver a novela ou um filme. O dia seguinte é de trabalho e ainda não cheira a fim-de-semana como na quinta e também já não existem réstias da ressaca do sábado anterior. Este concerto de Cut Copy não abalou o descanso a ninguém, estava uma noite amena, morna também ela, bebeu-se umas cervejas, fumou-se uns cigarros, ouviu-se uma canções e, a seguir, foi-se para casa, que era hora de dormir. Sem sobressaltos.

Não é grande elogio, não é, de resto, elogio. O concerto de Cut Copy no Coliseu não o merece, não foi mau nem bom, foi assim-assim. Não é isso que os corpos pedem quando saem de casa para a festa. Antes que salte alguém a exigir uma crítica “objectiva e imparcial”, um par de factos: sim, o público, que compunha bem mas não enchia o recinto, dançou e saltou, pareceu estar a divertir-se; a banda, por sua vez, não se cansou de tecer loas à cidade mais bonita que conhecem — Lisboa — e ao melhor público da digressão. O público é um bocado como as esposas enganadas, prefere acreditar nestas declarações de amor, sabendo perfeitamente que o público de amanhã também as ouvirá. No entanto, a ouvidos acostumados, este discurso já soa muito mal.

A culpa não será toda dos Cut Copy, a minha disposição — que nunca me permitirá ser objectivo ou imparcial — não seria a melhor e a acústica do Coliseu nunca o é: o som distorcia de tão alto e o único instrumento que se ouvia limpidamente era a bateria. Porém, pelo menos metade da culpa também será da banda, que ao vivo esbanja as subtilezas que se ouvem nos discos e se atira à estridência das batidas — electrónicas e da bateria — que resulta numa música demasiadamente cheia e pouco inventiva. Os outros instrumentos estão lá a fazer figura, era preciso apurar muito os ouvidos para captar as coisas interessantes que Tim Hooey ia fazendo com a guitarra (quando a tinha, a maior parte do tempo andou a passear umas baquetas). Em cima disto tudo, se as outras vozes funcionam bem nas harmonias, a do vocalista Dan Whitford é um assalto aos ouvidos, terrível nos agudos, fraca nos outros registos.

Noutra crítica a um outro concerto, escrevia que a festa desculpa tudo. Esta festa esforçada e forçada por parte da banda e do público mal justifica a falta da mantinha e da novela ou, em rigor, é apenas um sucedâneo. A única defesa que posso apresentar pelos Cut Copy é que já deram bons concertos, lembro o do Festival Sudoeste de 2008, em que também lutaram contra um péssimo som. Mas, se calhar, é só mais acusação.



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