Fat Freddy

Regresso surpreendente em formato “duo machine”. Entrevista exclusiva.

Os Fat Freddy sempre foram um projecto transversal no panorama musical nacional. Sem género/orientação definida, a banda sempre adoptou um caminho independente, sem qualquer tipo de limitações criativas. No final do mês passado foi editado o segundo longa-duração do projecto, agora “reduzido” a um duo. Composto por nove temas originais sem título e uma versão dos Kraftwerk, o disco, também sem título, é mais um “tiro” na monotonia que tem caracterizado o ano editorial nacional. Querem conhecê-lo?

A história dos Fat Freddy na música nacional, a nível editorial, inicia-se em 2002, com uma participação na compilação “Cais do Rock”, editada pela Low Fly. A sua sonoridade, desde a sua génese, sempre foi influenciada por um enorme conjunto de variáveis, tornando a sua música difícil de catalogar mas extremamente agradável de ouvir.

Em 2003, é editado o primeiro disco de originais, “Fanfarras de Ópio”. Carregado de energia e misturando rock com sonoridades de leste, que podiam ter sido retiradas de um filme de Kusturica, as fanfarras invadiram os palcos nacionais de norte a sul de Portugal. Um concerto dos Fat Freddy era sinónimo de festa e animação.

De uma forma surpreendente (ou talvez não), os Fat Freddy de 2006 optaram por “matar as fanfarras”. Depois da saída “natural” da banda de Filipe Leite (contrabaixo), o duo composto por Guedes Ferreira (guitarra e programações) e Nuno Oliveira (bateria), surge agora com uma postura diferente, mas sem renegar as suas origens. A nota de imprensa que serviu de apresentação a este novo registo caracteriza o som do “novos” Fat Freddy como sendo “a banda-sonora de uma vida de filmes de ficção científica manhosa, pré-histórica, de série Z”. Para nós é apenas música de qualidade.

Composto unicamente por temas instrumentais, este novo disco dos Fat Freddy apresenta uma enorme diversidade de ritmos, nunca se tornando repetitivo e monótono. No final, como uma cereja em topo de um bolo, surge um dos momentos mais surpreendentes de todo o disco: uma versão de «The Model» dos Kraftwerk.

Estivemos à conversa com o duo, de forma a ficarmos a conhecer um pouco melhor este novo trabalho e o presente/futuro dos Fat Freddy. Fiquem com a entrevista:

As Fanfarras foram colocadas definivamente de lado? Começou um novo capítulo na historia dos Fat Freddy?

As Fanfarras estão definitivamente enterradas. Morreram. O primeiro disco marca as nossas vivências entre a data de fundação da banda, 1999, e a data de lançamento, 2003. Este novo álbum representa o nosso diário relativo ao período entre 2003 e 2006.

Podem-nos falar um pouco sobre as razões que levaram aos Fat Freddy serem hoje um duo?

Tão simples como o contrabaixista ter saído, por opção dele, e nós termos considerado que não havia necessidade de o substituir. Tudo o que acontece nesta banda acontece de forma perfeitamente natural, sem dramas. Foi isso que aconteceu. Tanto é que continuamos a trabalhar com o Filipe Leite em outros projectos…

Optaram por lançar um novo álbum sem título, composto por faixas originais, instrumentais, também sem título. Porquê?

Porque quando acabámos o processo de composição «reparámos» que os temas eram todos instrumentais… Para nós, não fazia sentido atribuir nomes aos temas quando havíamos usurpado a palavra durante a composição dos mesmos.

A nível comercial pode ser um pouco arriscado. Concordam?

Sim, é verdade, mas também é verdade que nós não temos grandes preocupações em termos comerciais. Fazemos a música que queremos. Não fazemos a música que as pessoas querem que nós façamos.

Para além das 9 faixas originas surge neste novo disco uma versão dos Kraftwerk. Expliquem-nos como surgiu essa ideia?

O Guedes Ferreira começou a tocar os primeiros acordes, na sala de ensaio, e nós fomos atrás dele. Alguns minutos depois, já estávamos todos alinhados… A satisfação foi tanta que ficou logo definido que aquele seria o tema-versão a incluir no álbum. Na realidade, nunca, em nenhum momento, fomos pesquisar o tema original ou imitar arranjos.

Esta versão surgiu-nos na sala de ensaios, sem combinações estratégicas, de forma 100% natural, aliás, como tudo o que acontece nesta banda…

Embora com outra “camuflagem”, os Fat Freddy continuam a apostar numa enorme variedade de sonoridades e ambientes. Em que se basearam  para este novo trabalho?

As Fanfarras foram fruto de experiências oníricas, talvez devido às nossas viagens dentro das nossas próprias mentes. Ou talvez devido a substâncias artificiais que nos foram indicando o caminho a seguir…

Talvez tenha sido isso. Pelo contrário, este disco baseia-se na actual realidade, que é muito mais terra-a-terra, sem grandes devaneios. Com essa noção de realismo, descobrimos a distorção, que está muito mais presente do que no primeiro álbum, além de um elemento diferente, o baterista, que veio trazer outra forma de abordar os temas, talvez de uma forma mais crua e directa. Não nos inspiramos em nada de especial para fazer este disco. O único fio condutor foram os filmes de ficção científica dos anos 50 e 60, aos quais fazemos uma espécie de homenagem… Aliás, quem assitir aos nossos concertos toma contacto com essa realidade, uma vez que as imagens que projectamos ajudam a perceber o contexto deste novo álbum.

Ao vivo, os Fat Freddy sempre foram sinónimo de festa, alegria e alguma eloquência. Como são os “novos” Fat Freddy ao vivo?

Enérgicos, vivos, calados e num constante duelo animal entre guitarra e bateria, com a máquina a assitir… impávida… mas poderosa.

Quais são os vossos objectivos com este disco? Têm outros planos para o futuro próximo?

Queremos continuar a fazer aquilo que mais gostamos, que é tocar ao vivo. Entretanto, havemos de continuar a ir ao estrangeiro, passo a passo, sem stress, para espalhar a mensagem… ou a ausência dela!



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