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Fiction

Anarquistas Pop

Alguns descrevem-nos como anarquistas Pop, e não andam muito longe da verdade, pois o quarteto londrino aproxima-se do obscuro Mundo dos primordiais passos da New Wave. Os Fiction, são uma formação standard de Londres e formaram-se no ano de 2009. Na senda de um primeiro álbum, o grupo já actuou no Offset Festival em Essex, Sŵn Festival em Cardiff e tiveram aparições nas “live sessions” das rádios BBC Radio 1, BBC 6 Music e Diesel Radio.

Mas a chama desta banda conhecerá tempos melhores a partir do dia 11 de Novembro, dia em que começam uma digressão com os Klaxons.

Durante aproximadamente um mês, a montra abre-se com um valente e derradeiro empurrão que lhes deve de servir de trampolim para o tão almejado, primeiro trabalho e para a muito esperada, fuga do anonimato, a leste de um cio farsolas e da poluição Pop bubble-gum mastigadas pelas tabelas de consumo convencionais

Os tópicos no Myspace da banda, deixam antever um futuro e salutar passeio pela cena Indie britânica. No catálogo perfila-se primeiro “Phyllis” e logo aí, a tal anarquia é sublimada quando um Post Punk da velhinha tela dos Echo & The Bunnymen leva repentinamente com as cores do Afro “Grace Wastelands” de Paul Simon, lembrando em muito, as regras quebradas à pop pelos rebeldes Vampire Weekend.

Alinha-se depois “Simulacrum”, uma New Wave teclada ainda a cru com espasmos na linha do disléxico Cabaret Rock do falecido Ian Dury, salpicada com falsetes à lá Spandau Ballet dando um excelente ensaio para abanar a anca desenfreadamente.
No acto seguinte, a banda acena à sincronia do traje rockeiro dos Devo em “Curiosity” numa passada de um (slow emotion replay) que parece explodir a qualquer momento, mas que fica contida entre as paredes da pop experimentalista, capaz de despoletar um efeito em cadeia, de esquizofrenia claustrofóbica, se a entoarmos durante um duche de água fria.

O primeiro single da banda “Zebra Crossing” já com um vídeo caseiro nas páginas do infame youtube, é uma tortuosa viagem a um ensaio dançante. Um momento agridoce na linha dos jurássicos Talking Heads a na sua extremosa dúvida inicial, entre as guitarras e os sintetizadores, acabando por triunfar os dois instrumentos, tal como no caso dos extintos padrinhos, transformando-se num clic expressivo da cadência de uma locomotiva frenética na qual não se sente necessidade de puxar o alarme de emergência.

“To Stick To”, o segundo single, também com um rudimentar vídeo no youtube, espelha bem a imagem Pop destes anarquistas melódicos.

Ouve-se neste tema, um slow epiléptico, a lembrar o glamour das matinés dançantes nas discotecas dos anos 80 como um slogan erótico, nunca consumado, eternamente expiado no caos da puberdade. Um baixo a desmembrar-se perante um apelo patrono de um básico sintetizador criando um música, invulgarmente bela, mas tão simples que chega a irritar.

As cartas estão então na mesa e os Fiction têm todos os trunfos para singrar, só lhes falta mesmo o tal empurrão para que sejam notados e reconhecidos como uma das revelações para o ano de 2010, e desfrutem de uma carreira ténue, longe do cortês apanágio da novidade, mas dentro do hábito em voga, no indie rock britânico.



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