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Mundo Cão

“A Geração da Matilha” em discurso directo.

Há já cerca de um ano que a banda nortenha fez sair “A Geração da Matilha”. O segundo trabalho de Mundo Cão foi certeiro e letal na confirmação das características que revelaram a sonoridade do projecto logo numa fase inicial – com o primeiro álbum, homónimo, lançado em 2007 pela editora Som Livre. O rock dark soturno, sentimental, de um despojo figurativo e teatral próprios que orientou alguma da critica e análise musical recente no enquadramento da banda são coordenadas que permancem na atitude geral -instrumental e cénica – do colectivo bracarense com este segundo trabalho.

Composto por Pedro Laginha (voz), Miguel Pedro (bateria), Vasco Vaz e Budda (guitarras) e Canoche (baixo), com a experiência de Adolfo Luxúria Canibal e alguma irreverência de Valter Hugo Mãe a ajudarem nas letras, Mundo Cão é, aprecie-se ou não, um projecto de dinâmicas próprias no panorama actual. Cúmplice, em alguns aspectos, com algum do universo Mão Morta – atente-se na reflexão dos seus sonhos, frustrações e poisos imaginários – repassa, nessa cumplicidade, o molde dos seus acordes.

Uns dias antes da apresentação do segundo disco, a RDB conversou com Miguel Pedro acerca de expectativas quanto ao primeiro espectáculo na capital, os siginificados de tocar ao vivo em salas de dimensões e públicos diversos e, entre outros assuntos, o motivo pelo qual só ao fim de um ano, com algum do hype em torno do single «Ordena Que Te Ame» especialmente em rádios locais, foi possível a apresentação na carismática sala lisboeta.

“Tocar em lisboa é sempre um momento especial para qualquer banda. Não por ser a capital do império, mas pelo facto de aí se encontrar a atenção da imprensa” exprime MP. “A verdade é que se passam coisas muito interessantes pelo país inteiro, em termos de bons espectáculos, mas a visibilidade mediática só existe nos espectáculos de Lisboa”, acrescenta prosseguindo, com alguma indignação, na sua análise e constatações, “Mundo Cão deu dezenas de concertos que, modéstia à parte, foram muito bons, mas que, do ponto de vista da imprensa, não existiram. Apesar disso, tocar no S. Jorge, para nós, é muito bom, não só pelo especial carisma da sala, mas porque temos muitas pessoas de Lisboa que nos pedem sistematicamente um concerto. Este concerto é para eles” afirma.

Ainda curto, o percurso de Mundo Cão terá concerteza algumas histórias caricatas, de bastidores e não só, para acrescentar, mas Miguel prefere guardar o sabor dos episódios para si e aqueles que neles se envolvem, “as histórias mais pertinentes não são minimamente divertidas e as mais divertidas não as podemos contar por pudor”, brinca.

Recordo-lhe do Festival Paredes de Coura do ano que passou e da ideia retida após conversa, na altura em off, acerca da importância para as bandas nacionais do mesmo. O músico recorda, “todos os concertos nos dão um prazer enorme, porque gostamos muito do que estamos a fazer. Tocar em Paredes de Coura ou com os AC/DC tem uma dimensão e um significado especial, mas tocar em salas pequenas, pela próximidade com o público, também nos enche de gozo. Não é possível comparar em termos de gosto mais disto ou daquilo. A nossa entrega é sempre a mesma, seja qual for o concerto, e tentamos colocar o máximo de energia e honestidade naquilo que fazemos” clarifica.

As nuances que poderão diferenciar o primeiro do segundo disco são entendidas e descritas com a mutabilidade complementar do processo evolutivo de grupo. Miguel Pedro justifica, “são discos que se complementam, numa perspectiva de uma evolução natural de uma banda. As diferenças poderão estar, eventualmente, no segundo disco ser um reflexo maior do nosso conhecimento mútuo, mas isso é algo que só é possível analisar por pessoas fora da banda”, já que para o músico torna-se difícil, por vezes, verbalizar aquilo que se toca. “Não gostamos muito de falar da nossa música; preferimos tocá-la”, refere.

Ter Adolfo Luxúria Canibal e Valter Hugo Mãe como letristas é “para nós, garantia de que as pessoas vão ouvir as palavras e os temas com atenção redobrada” acredita.

Em Portugal são poucos os artistas que controlam o seu circuito de concertos. No caso do espectáculo no São Jorge, afirma que “só agora houve oportunidade. Houve agora a vontade dos Produtores Associados em produzir o concerto e, como tal, ele vai acontecer”.

Lanço-lhe o repto de mensagem para quem os ouve e teve como destino no dia 26 de Março o auditório do Cinema São Jorge. Miguel Pedro, com a boa-disposição , por vezes mordaz, que o caracteriza deixa, em jeito de graça, um “prolongue a vida da sua máquina com Calgon, ou com outra droga qualquer”.

Se a demanda figurada acertou na dependência Mundo Cão, não se sabe, o certo é que à data desta entrevista muitos foram os bilhetes vendidos para o concerto de apresentação.



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