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NOS Alive! 2015 | Dia #2 (10-07-2015)

Concertos para todos os gostos

A separar o dia 9 e o 10 estão muito poucas horas de sono e um longo dia de trabalho. Ao final da tarde vamos lá bem fundo reunir todas as nossas energias e damos início a mais uma jornada. Felizmente que este é um daqueles casos em que podemos dizer que quem corre por gosto não cansa.

Os Cold Specs apanham ainda aquele horário tramado de final de tarde, princípio de noite no segundo dia do NOS Alive! 2015. Há pouca gente para receber os canadianos que são liderados por Ladan Hussein, senhora com uma voz bem agradável, por sinal. Infelizmente não nos é possível ver muito do concerto mas do que foi possível observar ficamos agradavelmente surpreendidos.

Há tempo para uma breve visita ao palco NOS para espreitar os Marmozets. Ao chegar lá, a primeira sensação que passa pela cabeça é a de que estamos a ver uma versão menos polida e oleada dos Paramore (não se trata de um elogio neste contexto em particular). Ainda nos dizem que esteve melhor, num registo mais punk e menos pop. Queremos acreditar que sim. Hora de regressar ao palco Heineken.

Os Bleachers entram a matar. Parece que querem o mundo. Talvez o mundo seja um exagero (é certamente) mas pelo menos o palco Heineken é todo, todo deles. Isso ninguém lhes tirou e eles levaram um pouco com eles no regresso a New Jersey.

A Capicua provou mais uma vez porque motivo é um dos nomes que importa no hip hop que se faz por cá actualmente, sempre com – a já para muitos -, incontornável Beatriz Gosta. As palavras sucedem-se, umas após outras, uma vezes mais cândidas, como em «Casa de Campo», e outras mais duras como em «Medusa», que contou com a presença de Valete em palco. As ilustrações, feitas em tempo real e projectadas no palco, foram o complemento perfeito para um belo concerto.

The Ting Tings baseiam toda a sua existência em torno da figura de Katie White. Ainda hoje «That’s Not My Name», editada em 2008, continua a ser a canção mais conhecida da banda e nada faz pensar que isso vá mudar nos próximos tempos. É verdade que há uma procura efectiva para mostrar que são mais do que isso. É ver Katie White a assumir uma postura de rocker, por exemplo. Não é menos verdade que não o conseguem fazer.

Há bandas que nos fazem lembrar, de tempos a tempos, porque gostamos de música, de concertos, de suar e por vezes até de sangrar. Os Future Islands são uma dessas bandas muito por culpa do vocalista, Samuel T. Herring, que é sempre o primeiro a dar o peito às balas. Não teve o brilho do concerto do ano passado no Musicbox mas foi bom, com «Seasons (Waiting On You)», «A Song for Our Grandfathers», «Lighthouse» ou «A Dream of You and Me» a entrarem facilmente para a memória colectiva de muitos.

James Blake fez exactamente aquilo que se esperava dele. Encher um palco apenas com aquele minimalismo desarmante que o caracteriza. Continuo a ser da opinião, depois de o voltar a ver no mesmo palco, agora mais maduro, que aquelas canções apenas podem brilhar com todo o seu esplendor num ambiente intimista. Por muito que procure criar esse ambiente ali (e por momentos, acreditem que quase o atinge) nunca o consegue em absoluto. «Limit to Your Love», mesmo não conseguindo ser melhor que a versão original, saca o belo do arrepio na espinha e a «Wilhelm Scream» continua a ter capacidade de transportar-nos para fora de pé, tal a angústia que aquelas palavras transportam… “I don’t know about my love / I don’t know about my loving anymore / All that I know is / I’m falling, falling, falling, falling / Might as well fall in”.

Róisín Murphy é um dos poucos casos que nunca desiludiu ao vivo, em todas as ocasiões em que a vi e ouvi. Em nome próprio, ou com os Moloko, foi sempre uma força da natureza. Desta vez entra em palco com um lenço na cabeça, uma gabardina, uma mala e com as costas curvadas, que nem uma pessoa idosa, para depois revelar um vestido preto e elegante. Nos planos estava acima de tudo o mais recente “Hairless Toys”, o que terá desiludido muitos dos presentes. Se lá estiveram, confessem lá que esperavam ouvir Moloko… Tivémos a «Pure Pleasure Seeker» e já não foi mau. Foi aquilo que esperávamos? Não, não foi, mas também não é menos verdade que esta irlandesa nunca marcou pontos por ser uma artista previsível e será aí que, por ventura, reside o seu maior trunfo.

Fotografia por José Eduardo Real. Galeria do primeiro dia aqui; segundo dia aqui.

Reportagem do primeiro dia do NOS Alive! 2015 aqui.



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