“O Exército Furioso” de Fred Vargas

“O Exército Furioso” de Fred Vargas

Os Fantasmas de Ordebec

Para a grande maioria das pessoas o nome de francesa Frédérique Audouin- Rouzeau pouco ou nada diz. Mas se falarmos de Fred Vargas, serão poucos os amantes da (boa) literatura policial que não vão fazer a devida vénia.

Com formação em História e Arqueologia, Vargas é autora de inúmeros romances que entretanto foram alvo de tradução em mais de três dezenas de países. Apelidada de “a rainha francesa do polar”, os seus livros já arrebataram prémios como o Prix Mystère de la Critique, o Grande Prémio da Novela Negra do Festival de Cognac, o Trofeu 813, o Giallo Grinzanne e o prestigiadíssimo CWA International Dagger.

Dona de uma escrita de toadas negras onde o sobrenatural e o paranormal – termos aqui sinónimo de experiências e fenómenos que não sendo de uma realidade paralela desafiam o normal quotidiano – são elementos decisivos de intrigadas tramas, Vargas criou um dos personagens mais marcantes da literatura.

Falamos do comissário Jean-Baptiste Adamsberg, um polícia que se refugia nos seus fantasmas interiores para desconstruir as mais complicadas teias do mal, sempre com o auxílio de uma equipa sui generis na resolução de casos deste e do outro mundo.

Em “O Exército Furioso” (Porto Editora, 2014), nona aventura de Vargas criada para o “estranho” comissário, a magia da narrativa de Fred Vargas volta a desafiar a imaginação do leitor e estamos, para não variar, perante um livro muito interessante.

No centro do drama está uma lenda medieval que ensombra ciclicamente a pequena cidade de Ordebec, na Normandia. Dizem os locais que uma horda de cavaleiros mortos, descarnados e desmembrados, conhecida como o Exército Furioso, dilacera todos os que atravessam um errante trilho de Bonneval, na floresta de Alance.

De acordo com os mais antigos, este exército de mortos-vivos anuncia a morte aos pecadores e as maiores vitimas são os mais odiados habitantes locais, nomeadamente assassinos e ladrões.

Depois de a horda fazer mais uma vítima, a pedido de Lina, uma estranha mulher natural de Ordebec, o comissário Adamsberg deixa Paris em direção da Normandia, primeiro sozinho e depois na companhia dos peculiares tenentes Danglard, Ratancourt e Veyrenc, com o objetivo de investigar a crença e tentar entender essa terrível lenda nascida de crenças e superstições ancestrais que “valida” os mais macabros assassinatos em série. Mas para além destes conhecidos nomes, “O Exército Furioso” tem mais surpresas.

Enquanto a octogenária Léo desafia a lógica dos acontecimentos através da teoria do efeito borboleta em Ordebec, a pequena cidade das vacas imóveis, na capital francesa acontecem crimes “passionais” caseiros, assassinatos com recurso a efeitos piromaníacos e vilões urbanos que focam a raiva em armadilhar pombos.

No epicentro de todos estes acontecimentos está um tenso Adamsberg, atormentado por bolas de eletricidade que lhe atormentam o pescoço, e, mais uma vez, com o recurso aos mais estranhos métodos dedutivos (e porventura pouco céleres ainda que eficazes), o comissário consegue entender e resolver uma complicada teia de acontecimentos desta vez com a preciosa ajuda de Zerk o seu recém-descoberto filho.

Este livro vem provar que Fred Vargas vive um excelente momento criativo e quem ganha com toda este aparato narrativo é o leitor ávido por boas histórias que misturam thriller com boas doses de suspense, como se de um pesadelo se tratasse.



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