rdb_ooioo_header

OOIOO

As gueixas do caos.

OOIOO não é um atalho com 5 vogais para alcançar o estrelato. Os Oioai fizeram isso e caíram no ridículo. Pelo contrário, Ooioo pode ser uma doce distorção da milenar arte da sedução, dança e canto tradicionais japonesas estudada até á exaustão pelas gueixas, ou um conjunto de meninas discípulas de John Zorn, trajando um quimono para o cantor japonês Yamatsuka Eye.

Com 6 álbuns editados,  mas ainda pouco conhecidas por cá, fomos ouvir a sua berraria e contemplar o seu caos. 

Existe um ambiente sonoro a emergir da delicada e tradicional sociedade japonesa, que cita o génio criativo dos Naked City e a distorção contida dos norte-americanos Liars. Essa cultura viva vem de um quarteto de meninas que têm como nome Ooioo, uma banda que a seguir uma corrente seria a de um Pós-Rock Avant-Garde ou a da destruição do formato canção como o entendemos.

“Armonico Heva” editado em 2009, é o sexto LP de originais para o agrupamento feminino que começou a sua viagem em 1997 com “OOIOO” a que se seguiu “Feather Float” em 1999, “Gold and Green” 2000, “Kila Kila Kila” 2003 e, finalmente, o antepenúltimo “Taiga” em 2006. Uma carreira já bem recheada de monumentos ao caos arrumadinho, como é típico da sociedade e do povo japonês.
Em “Armonico Heva” o complexo enredado da estrutura do disco é logo apresentado na primeira faixa “Sol”, uma coluna vertebral com um sorriso aberto ao dourado, com uma lacónica destruição do ritmo e melodia, um caos sublime do qual não nos podemos alienar.

Depois a caçada sonora cai numa guitarra minimal-repetitiva em “Uda Hah” misturada com um ensejo vocal quase Pop que se desvanece no território experimentalista como um quarteto Free-Jazz perdido no tempo. 
Em “Irorun” somos transportados às antigas caravanas da rota da seda, num doce ritmo que nos espanta e, de repente, sem nos avisar larga-nos no frio industrial de uma fábrica metalúrgica da velha Alemanha de Wim Wenders.
O corte com as regras sonoras pré-estabelecidas pela Pop continua com “Konjo”, uma anti-música onde podemos imaginar-nos e transportarmo-nos ao velho mundo dos Swans do Michael Gira e da Jarboe, a dissecarem o seu clássico LP “Greed” num minimal Disco-Sound.

Segue-se no rol, um sublime desmoronamento à matemática composição venerada pelos Tangerin Dream, “Kipepeo” que tem tanto de belo como de assustador, deixando a pairar uma atmosfera de vitória da desordem sobre a técnica.
Os restos dos trilhos do álbum, embrenham-nos ainda mais na destruição da música tal como a imaginamos. Trata-se de uma viagem ao além sonoro, carrega-nos mesmo para um sítio onde o som sofre uma curvatura e se desintegra.

Entender o caos arrumadinho e lançado pelas sedutoras gueixas nipónicas, é tão difícil como entender a teoria das cordas, perceber a gravitação quântica ou perceber o sistema de jogo que o Carlos Queirós impõe à selecção portuguesa, por isso, o melhor é ouvir o disco e não ligar muito a dissertações sobre algo muito difícil de definir. A única coisa que se entende mesmo da audição das Ooioo é que o colapso sonoro, está mesmo a chegar!



Também poderás gostar


Pin It on Pinterest

Share This