teatro-rapido-fev2013_header

Teatro Rápido – Fev 2013

Em Fevereiro é por amor!

Fevereiro, mês dos namorados. Tudo o que é montra de loja se enche de corações vermelhos e cor-de-rosa, de mensagens fofinhas inscritas em ursos igualmente fofinhos. Ah, o amor!

Também o Teatro Rápido (TR)  se apaixonou (pelo e por amor) e oferece-nos quatro propostas muito fortes para sentir “isso”, “aquilo” que é o amor. Fernanda Neves, João Passos, Rosa Maria Villa, Hugo Costa Ramos, Cristina Areia e Lídia Muñoz são os actores em cena.

Sala 1 – “Onde é que julgas que vais?”

Fernanda Neves e João Passos assumem os papeis de prostituta e cliente, respectivamente. O diálogo entre ambos é surpreendentemente profundo: quem diria que no âmbito de uma “simples” prestação de serviço se falasse de amor? O amor, aquilo que todos sabemos o que é, até ao momento em que alguém nos pede para o definir.

O texto de Tiago Torres da Silva surpreende-nos pela profundidade das palavras trocadas entre aquela mulher e aquele homem, ambos carregados de solidão e de desejo de a esquecer, a troco de dinheiro, a troco de prazer. Ou de amor?

A cena final  é verdadeiramente emocionante e dramática. As interpretações de Fernanda e João assumem o seu ponto alto nos minutos finais. É brilhante, ainda que o quarto da prostituta seja tão escuro e o seu olhar tão triste e vazio.

Depois de “Pode beijar a noiva” (em cena no mês de Janeiro), Tiago Torres da Silva traz-nos uma proposta (in)tensa, cujas palavras ganham força uma vez “vestidas” na pele dos actores.

“Mesmo assim amo-te, porque daqui a cinco minutos já não me lembro de ti”.

Sala 2 – “Não sou eu, és tu”

Contra o preconceito do amor entre uma mulher mais velha e um homem mais novo: eis o contexto da peça, escrita por Ana Saragoça. Rosa Maria Villa e Hugo Costa Ramos regressam, assim, ao palco do TR onde já são repetentes.

Ana Saragoça apresenta-nos um texto delicioso, com momentos de humor que desdramatizam a insegurança sentida pelo casal. O final é feliz, porque ambos acabam por considerar que a atracção maior que sentem pelo outro reside, precisamente, na diferença que os separa. Mas o diálogo que os conduz até aí assemelha-se a um tango que se dança, efectivamente a dois, e que encontra a harmonia no meio de algumas pisadelas e dores nos calos.

Depois de “A mãe da noiva”, as palavras de Ana Saragoça fazem-nos pensar no papel das mulheres que, à beira dos 50 anos, evitam o ataque de nervos e se prestam a viver, mais e melhor.

Não sou eu, és tu” – e que atire a primeira pedra quem nunca terminou (começou?) uma relação assim.

Sala 3 – “Good Bye”

Cristina Areia está em cena com um dos dois monólogos do mês de Fevereiro. “Good Bye” conta com a encenação de João Ricardo e texto de José Pinto Carneiro; a instalação cenográfica (de João Ricardo e SP Televisão) brinda-nos com pequenos (grandes) pormenores que não vamos aqui desvendar.

Ela é uma professora de Inglês que acaba na cama com um jovem. A culpa e o arrependimento, o diálogo que tem consigo, fá-la viajar para tempos em que teria a idade daquele mesmo jovem, com quem acabou de ter relações sexuais. Esta mulher é mãe, professora, e esta noite talvez tenha servido para se lembrar simplesmente que é… mulher.

Da actriz, podemos dizer que este registo, bem diferente daquele que assume habitualmente no teatro de revista, lhe fica muito bem.

Sala 4 – “Onde é que estavas quando te vi pela última vez”

O segundo monólogo do mês é protagonizado pela actriz Lídia Muñoz, que leva a cena um texto de Miguel Graça. “Onde é que estavas quando te vi pela última vez”  conduz-nos até ao sofá onde uma jovem fala, sozinha, connosco, com ele.

Nas mãos de uma jovem rapariga desfilam fotografias suas, sempre sozinha. “Esta é a minha vida à tua espera”. E que vida, na qual nem o isqueiro é capaz de lhe acender o cigarro.

A fragilidade dos seus gestos contrasta com a força das suas palavras, que acusam alguém que não conhecemos de uma partida que se revela dolorosa. Dia após dia, fotografia após fotografia. “Esta sou eu sem ti”. A vida desta rapariga é um intervalo entre um amor que partiu e o seu regresso, que tarda.

Em suma: em Fevereiro, o TR apresenta-nos quatro propostas construídas com palavras muito fortes e moldadas por grandes interpretações.

Ao sábado e ao domingo os mais pequenos podem assistir à peça “Pequenas propostas para ti # Maior”, com produção do Gato que Ladra e as interpretações de Carla Carreiro Mendes e Tiago Ortis.  As sessões acontecem a partir das 11h30m.

Para além das 4 micropeças, o TR oferece-nos ainda uma noite de Café Improv (15 de Fevereiro, pelas 22h);  uma noite de Contos Inadaptados (22 de Fevereiro, pelas  22h); um concerto a cargo da banda Regra de 3 Simples (23 de Fevereiro, pelas 22h); e uma tertúlia rápida com o mote “Por amor da santa” (dia 24 de Fevereiro, pelas 16h).

No TR Bar pode ser contemplada a exposição de pintura de Tatiana Alves, com o título “se pudesse ouvir um olhar, e se um olhar te bastasse”. E é obrigatório apreciar a instalação que se encontra mesmo por cima do balcão.

Ah. As borboletas na barriga! Ah, o amor! É caso para fazermos nossas as palavras de um amigo que, há dias, questionava se as borboletas, quando se apaixonam, sentem humanos na barriga. O mais certo é que não o sintam, até porque a sua vida é breve mas capaz de ecoar pela eternidade fora. Tal como o amor, certo?

Recordamos que no TR as peças demoram apenas 15 minutos e os bilhetes custam apenas 3 eur (por peça). Existe a possibilidade de adquirir um pack para as quatro peças, por 10 eur. Mais informações na bilheteira ou na página do facebook.

Fotografia de Mário Pires



Também poderás gostar


Pin It on Pinterest

Share This