Lídia Muñoz – Entrevista

Lídia Muñoz

A Rua de Baixo continua a acompanhar, de perto, a programação do Teatro Rápido. No mês de Fevereiro fomos surpreendidos por uma jovem actriz que “ocupou” a sala 4 , no mês do amor. "Onde é que estavas quando te vi pela última vez" é um monólogo, da autoria de Miguel Graça. Lídia Muñoz assumiu o papel, arrebatou-nos, e até nos provocou algumas lágrimas

“Quando cheguei ao 9º ano e falei lá em casa que queria estudar Teatro, lembro-me do ar surpreso do meu pai: “mas ela é tão tímida”. E ainda sou tímida”, disse-nos Lídia Muñoz. A actriz cresceu no meio dos camarins do Teatro e desde cedo começou a respirar o pó dos palcos: acompanhava, de perto, a sua avó e as suas lides de actriz. “Foi muito natural para mim escolher o Teatro. E não me imagino a fazer outra coisa”, confessa.

Hoje, com 22 anos, Lídia encontra-se a estudar na Escola Superior de Teatro e Cinema; ao mesmo tempo, tem apresentado trabalhos como actriz em espaços tão diversos como o Teatro Experimental de Cascais (TEC) ou o Teatro Rápido (TR).

Em 2011 interpretou Blackie, n’O Comboio da Madrugada, um texto de Tennessee Williams, onde teve oportunidade de contracenar com Eunice Muñoz. Este trabalho faz parte da programação do Teatro Nacional Dona Maria II e vamos poder ver (ou rever) Flora Goforth, Blackie e Chris Flanders a partir de Outubro. “A Blackie não vai ser a mesma; quando fiz esta mulher era muito nova e entretanto já “vesti” o papel de outras mulheres; e eu já não sou a mesma, também. Em Agosto vou voltar ao texto e aí é que vou preparar a personagem.”

Esta é a fase que mais prazer dá à jovem actriz: a preparação para os papéis, as leituras, os ensaios. É por isso que se sente melhor no Teatro e que sente este como o seu “habitat natural”.  Lídia encontra-se em cena, pela ÉTER Produção Cultural, com a peça “Frei Luís de Sousa”, na qual interpreta Maria. Participa actualmente na telenovela “Destinos Cruzados” (TVI), na qual interpreta Maria Helena.

Brevemente poderemos ver o resultado do seu trabalho na curta-metragem “De onde os pássaros vêem a cidade”, realizada por André Tentugal. Lídia é Joana, num papel que se revelou intenso. “Eu era a única actriz em cena e tudo girava à minha volta; começávamos a gravar, por exemplo, às 6h da manhã, e terminávamos à 1 ou 2 da manhã”, disse-nos Lídia que também confessou o seu medo de falhar. “Acho que tudo me corre mal; ainda sou muito nova e acho que este medo se deve a falta de maturidade. Por outro lado, acho que é bom eu achar que está tudo mal, porque me faz exigir mais de mim e querer ficar próxima da perfeição.” “De onde os pássaros vêem a cidade” será apresentada no Curtas Vila do Conde – International Film Festival 

Como é que uma actriz que se apresenta como uma mulher tímida avança com um monólogo num espaço como o TR, onde a proximidade com o público é, permitam-nos a redundância, muito próxima? “Não sei como é que consegui fazer isto. Quando cheguei ao último dia estava  emocionalmente muito cansada. O texto era todo ele uma emoção muito intensa e era repetido cinco vezes ao dia. No fundo, eu tenho muito medo de ficar como ela. Mas foi maravilhoso.” Lídia acrescenta que não conseguiu resistir à atracção pelo texto, pelo trabalho do Miguel Graça e pelo espaço que é o TR e as pessoas que nele trabalham – e daí a avançar com a candidatura do projecto foi um passo. “Se eu não tivesse feito este trabalho… sabes, hoje não ia ser eu.”

Lídia tem muito orgulho em ser a neta da Eunice. E sim, tem noção do “peso” do apelido. Por isso estuda e trabalha como actriz, porque o Teatro significa trabalho e, acima de tudo, paixão. “Eu quero estar sempre a fazer isto, porque quando não estou a trabalhar, estou sem chão.” – diz-nos Lídia. Desejamos que nunca te falte o chão e prometemos acompanhar o teu trabalho, mesmo que voltes a fazer-nos chorar.

Fotografia de Mário Pires



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