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Veronica Falls

Entrevista com Marion Herbain em antevisão à actuação no Optimus Primavera Sound.

O ser Humano tem, geralmente, o hábito de procurar justificar tudo. Uma escolha deve ser baseada num qualquer pressuposto ou o resultado de uma ponderação. Mas nem tudo tem de ter uma explicação. Quando falámos com Marion Herbain, baixista dos Veronica Falls, começámos por tentar saber qual a história por detrás do nome da banda. A resposta foi de encontro ao que foi escrito nas primeiras linhas desta prosa. “Não existe uma [história]! Gostamos que seja um nome aberto a interpretações. Tanto podia ser um local como uma personagem…”.

Roxanne Clifford e James Hoare, na guitarra e na voz, Patrick Doyle, na bateria e Marion Herbain – que já “conhecem” – no baixo. Eis os Veronica Falls. A história, essa, tem início há alguns anos, segundo nos conta Marion: “A Roxanne e o Patrick costumavam tocar em Glasgow noutras bandas e eu vivia lá, por isso já nos conhecíamos”. Depois passou algum tempo, e o reencontro teve lugar em Londres, quando todos se mudaram para lá. Marion prossegue: “O James, o Patrick e a Roxanne começaram a praticar juntos e só alguns meses depois é que eu me juntei”.

Os Veronica Falls têm a capacidade de conseguir combinar influências dos anos 80 com o panorama actual. Se os escutarem, certamente que nomes como os My Bloody Valentine ou os Smiths, vos passarão pela cabeça. Porém, também vão ficar com a sensação de que o quarteto não se limitou a copiá-los. Não. Há uma manifesta admiração mas há também uma procura por uma identidade que demonstra um claro potencial para existir por si mesma. Perguntámos se esta opção foi deliberada ou se, pelo contrário, foi algo que surgiu de forma natural; “Quando começámos a tocar juntos nunca dissemos nada do género: ‘queremos que a banda soe desta ou daquela forma’. Apenas tocámos todos juntos e o que aconteceu, aconteceu. Nunca foi uma decisão consciente mas, como é óbvio, todos nós temos influências similares, o que acaba por ajudar. Todos nós gostamos bastante dos primeiros álbuns de Flying Nuns ou de bandas como os Beat Happening, Galaxie 500 e Velvet.”.

2011 foi o ano que viu nascer “Veronica Falls”, a estreia homónima da banda, que durante a gravação do álbum teve a oportunidade de trabalhar com dois produtores diferentes. À primeira vista poder-se-ia pensar que estes terão sido, em parte, os responsáveis pela mistura sonora entre os anos 80 e os 10, que se sente na música dos Veronica Falls. Guy Fixsen já trabalhou com os My Bloody Valentine. Já Ash Workmand conta no seu currículo com nomes como o dos Metronomy. No entanto a história é um pouco diferente, como nos confidencia Marion. “O que aconteceu foi que gravámos o álbum duas vezes! Não estávamos completamente satisfeitos com a forma como o álbum soava da primeira vez. Soava a algo muito profissional mas a energia não estava lá e não soava a nós”. A solução foi simples e passou por uma mudança na abordagem. “Só duas ou três canções das gravações iniciais chegaram à versão final do álbum. Da segunda vez gravámos todos os instrumentos ao vivo numa sala no espaço de três dias. Depois gravámos as vozes, o que funcionou muito melhor para nós. No fim de contas não foi muito uma questão de produtores, visto que acabámos por ser nós próprios a produzir o álbum, de que na realidade já tínhamos uma ideia clara do pretendido; o que realmente importou foi o processo de gravação”.

A banda está prestes a embarcar numa nova tour, que incluirá algumas datas nos Estados Unidos da América e na Europa e que os trará, em Junho, ao Optimus Primavera no Porto. Neste momento é impossível sacudir algum nervosismo: “Estivemos lá [nos Estados Unidos] há alguns meses mas esta vai ser a nossa primeira tour como cabeças-de-cartaz por isso é um bocadinho assustador! Esperemos que as pessoas se lembrem de nós e da nossa última tour e, para além disso, o novo álbum saiu entretanto e será interessante ver qual a resposta que iremos obter.”.

Para terminar procurámos saber o que se escuta por aquelas bandas quando não estão em concerto e a resposta reflectiu um pouco aquilo que os Veronica Falls são: uma mistura bem doseada de passado e presente mas sempre com o futuro no horizonte. “[Temos escutado] muitas bandas da Nova Zelândia como The Verlaines ou os The Chills e também alguns clássicos americanos indie como os The Lemonheads e R.E.M.”.



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