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Xutos e Pontapés: Quando as bandas passam o prazo de validade

Falar de punk em Portugal nos anos 70, é provavelmente um exagero, mas pelo menos no início com o Zé Leonel, os Xutos habitavam muito próximo desse universo, cantando sobre assuntos interessantes como o sémen, morrer de cancro ou o complexo de Édipo

Os Xutos já foram uma grande banda, como a maioria das bandas, especialmente nos anos 70 quando eram novos. Nada contra rock tocado por velhos ou não tivessem os Motorhead sido a força da natureza que foram até à extinção de Lemmy Kilmister, mas divago.

Falar de punk em Portugal nos anos 70, é provavelmente um exagero, mas pelo menos no início com o Zé Leonel, os Xutos habitavam muito próximo desse universo, cantando sobre assuntos interessantes como o sémen, morrer de cancro ou o complexo de Édipo. O problema foi que Zé Leonel saiu e Tim assumiu o lugar de vocalista transformando o que poderia ter sido uma estrela cadente do punk português numa banda de rock de estádios com aspirações a Rolling Stones, quando deveriam ter continuado a sua senda de sexo, drogas e rock’n’roll até algum dos membros morrer devidos aos excessos e entrarem no panteão das lendas musicais, que no nosso País tem ainda muitas vagas por preencher.

Apesar dos Xutos ainda serem uma banda decente até “Gritos Mudos”, disco com que deveriam ter terminado, de 1981 para a frente a qualidade da banda foi diminuindo brutalmente, passando por vários momentos embaraçosos, onde se contam incursões pelo pimba como “A minha casinha” ou ataques agudos de adolescência tardia como no vídeo de “Para ti, Maria”. Isto sem falar em “Doçuras”. A sorte deles foi que nos anos 80 fomos todos bombardeados com o que dava na rádio e na tv e não deve haver ninguém com mais de 30 anos que não saiba as letras de Xutos de cor, da mesma forma que não se consegue livrar da porcaria da Lambada para o resto da vida.

Mas o pior estava claramente para vir, e foi anunciado com pompa e circunstância com esse flirt pré-nu-metal que foi “Estupidez”, com o Tim a tentar fazer rap, no que é claramente um dos momentos mais embaraçosos da música portuguesa, capaz de disputar o pódio com Tino de Rans, Zé Cabra e Maria Leal.

Mas como quando a andropausa bate, bate com força, a coisa não se ficou por aqui pois em breve surgiria esse tesourinho deprimente que é “Manhã Submersa” cuja letra, até este dia, não diz ainda rigorosamente nada sobre nada, forçando rimas de tal maneira que deveria ser considera estupro lírico. Claro que não podemos esquecer todos esses galões de azeite que tem vindo a escorrer cada vez mais das guitarras de Zé Pedro e Cabeleira e da voz de Tim e que atingiu provavelmente o zénite com “Para Sempre” e “Ai Se Ele Cai”. Que caia pá, que caia e parta uma anca para acabar com o sofrimento logo duma vez.

Falando no Zé Pedro, está mais que na altura de parar de lhe pedir conselhos musicais, basta ouvir os últimos 20 anos da sua banda, isto sem falar nos Ladrões do Tempo, para perceber que ele não é claramente a pessoa certa para sugerir bandas a ninguém. Aproveitem também para deixar de o entrevistar, porque o mundo todo já sabe de cor a história do inter-rail a que foi quando era puto e como os discos de punk vinham todos de Inglaterra. O Tim ao menos, dedica-se, ainda que em part-time, à agricultura, e o Cabeleira sabe como fazer um casamento de sucesso.

Como se tudo isto não fosse embaraçoso o suficiente, aí estão eles de novo, desta feita com a tour acústica de “Se Me Amas”. Yep, o cerco continua.



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