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B.B. King em Sabrosa

A aparição do Rei no Portugal profundo.

Dia 29 de Maio de 2010 vai ficar na história da vila de Sabrosa (Vila Real) e da música em Portugal. E, claro, na memória dos milhares de pessoas – a rondar as 20 mil, segundo os organizadores – que tiveram o privilégio de ver e ouvir in loco um dos últimos ícones vivos do Blues, uma personificação com quase 85 anos do amor pela música e da paixão de tocar ao vivo: B.B. King acompanhado do seu clássico septeto de músicos de primeira água.

Pouco depois de entrar em palco soltou um sentido “Thank you for coming out to see us” a uma multidão que o idolatra e que se reuniu na simpática vila do concelho de Vila Real para o ver. Uma multidão extensa e heterogénea, composta por novos, menos novos e idosos; gente da terra, das terras à volta, de Braga, Porto, Aveiro, Coimbra, Lisboa, Espanha, de lugares longínquos na Ásia; famílias inteiras, rockers da velha guarda, gente de rastas, yuppies em fim-de-semana; cada qual melómano à sua maneira.

A expectativa era grande e a surpresa não foi menor. Ninguém ficou indiferente à aura e à energia deste octagenário nascido nas margens do mítico Mississipi, porta voz maior de uma música que transpira amor à vida, ainda que naquela zona seja muitas vezes feita á custa de sangue, suor e lágrimas.E uma omnipresente esperança num futuro melhor.

Ao longo de uma hora de espectáculo o Rei desenrolou uma série de clássicos seus como “Every Day I Have The Blues” e músicas tradicionais, interpretadas exemplarmente e com um bom gosto arrepiante: o total domínio da técnica tendo como fim máximo a busca permanente da musicalidade, da Nota perfeita; a arte de transformar o virtuosismo em simplicidade e de transmitir a aparente sensação de que todos podemos tocar assim. A voz intacta, o bend perfeito na sua inseparável guitarra – Lucille de seu nome -, o groove ideal e a harmonização de excelência formaram um Todo magistral, um grande momento de comunhão entre músicos e plateia.

No fim, sem o clássico e prevísivel encore, o Rei foi saiu do palco perante uma ovação interminável. Já na parte de trás, sentado numa cadeira de rodas virou-se e saudou alegremente a fracção do público que o viu e aplaudiu uma última vez. A idade pesa e o corpo ressente-se. O espírito, esse enigma, continua intacto. A Lenda continua.

Fotografia por José Ferreira



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