Estava a pensar bruaa

Estava a pensar

O tempo parado e os atacadores desapertados

Na lufa-lufa de uma manhã qualquer, há um adulto que apressa uma criança, na tirania dos horários e dos atrasos diários. Dentro da mesma manhã, há uma criança sem pressa, sem relógio, sem os pés no chão sequer. E juntos – o adulto com pressa e a criança de tempo infinito – criam um momento de pura emotividade, num livro especial capaz de alterar, por completo, as manhãs apressadas na casa de todos nós.

“Estava a pensar…” (Bruaá, 2014) é mais uma pérola nascida da mente criativa e poética de Ivan Chermayeff. Os textos, da autoria de Sandol Stoddard, unem-se às ilustrações de Chermayeff, numa parceria de palavras e imagens, de ideias e sentimentos, de cores, sabores, cheiros e emoções.

Há um “bom dia” que não se disse e umas mãos por lavar que lembram água em baldes ou piscinas. Há uma camisa amarela para vestir, que lembra limas e limões, e umas jardineiras transformadas em papagaios de papel ou pombas brancas esvoaçantes. Surgem pelicanos e pavões, elefantes dourados e prateados, zebras, girafas, leões e tigres, enquanto as meias e os sapatos não se calçam. Peça a peça, de pensamento em pensamento, a rotina da manhã leva aquele menino para além do seu quarto, da sua casa, do dia que começa, do adulto que o apressa. Entre ordens e instruções, aquele adulto – como qualquer outro – reage sem saber, sem pensar, que magia vive no olhar distante de uma criança que pensa. Parando o tempo, vivendo para além do momento, aquele menino – como tantos outros – deixa-se encantar por coisas simples, como as partículas de pó, e por ideias só dele que trocam braços por pernas e metem os pés pelas mãos. Então, não vestiu a camisa amarela, nem as jardineiras, nem calçou as meias e os sapatos ou apertou os atacadores sequer…



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