PokkenTournament

Pokkén Tournament | Análise

Um sólido jogo de luta comprometido por um escasso leque de lutadores.

No dia 18 deste mês de Março, Pokkén Tournament salta das arcadas para a Wii U, pronto para saciar a sede dos jogadores que esperam por um novo título essencialmente focado nos frenéticos combates entre Pokémon. Uma vez que esta é uma série principalmente adaptada para o género RPG, no passado coube a Pokémon Stadium preencher essa lacuna. Aos olhos da crítica especializada este foi um título que, nem muito mau nem muito bom, foi “assim-assim”. A essência dos combates estava lá mas haviam problemas que só os fãs conseguiram contornar. Escusado será dizer que foi um dos grandes best-sellers da já velhinha N64. Ter sido alvo de sequela conferiu-lhe o estatuto de série e as saudades deixadas pelo passar do tempo acrescentaram-lhe mais um: o “de culto”. Hoje os tempos são outros, bem como as capacidades das consolas. Desenvolvido pela The Pokémon Company em conjunto com a Bandai Namco (responsável pela série de luta Tekken) Pokkén Tournament vem provar que ainda há espaço no mercado para jogos de luta entre Pokémon.

A promessa é simples e directa: revolucionar a série, oferecendo combates entre Pokémon num formato nunca antes visto. Mais envolventes e visualmente impressionantes, também a jogabilidade fará de tudo para garantir uma experiência única para os fãs. Vamos ver se consegue?

Depois de dar nome e rosto ao meu avatar, ou melhor, ao meu treinador de Pokémon cheguei ao Hub do jogo onde reparei que há vários modos de jogo para experimentar, dignos do mais completo jogo de luta. Existe um modo Single Battles onde posso lutar ad eternum contra o computador, e claro que o modo versus – que tem feito as delícias cá de casa – de nome Local Battle, onde um jogador fica com o ecrã táctil do GamePad e outro com a televisão está também presente. Nada ficou esquecido e isto inclui o modo online para a malta competitiva poder participar em combates amigáveis ou Ranked e, claro, o modo Practice. Capaz de fazer inveja a muitos jogos de luta “mais sérios”, este é um modo bem robusto, repleto de ramificações e explica-nos muito bem as nuances muito próprias de Pokkén Tournament.

Só que uma vez que a acção do jogo decorre na região de Ferrum, faz sentido que o principal modo deste jogo seja a Ferrum League. Este é um modo exclusivo para a Wii U e com isto quero dizer que não está presente nas Arcadas. O objectivo deste modo é derrotar os participantes de cada liga e sermos promovidos até ao topo. No final de cada liga, temos acesso a um torneio onde lutamos contra os primeiros colocados, para disputar o pódio. Ganho o torneio, surge a hipótese de sermos promovidos para uma liga superior, só que para isso teremos de derrotar um treinador especial. Parece fácil mas depressa nos vamos apercebemos que não é bem assim. A cada liga acresce a dificuldade do jogo e lá para a frente, ou melhor lá para cima, nas ligas superiores, os combates atingem um grau de complexidade mais intenso, por vezes a roçar o implacável. Completem cada liga e ganhem acesso a conjuntos de Pokémon de suporte que vos ajudarão durante o combate e acessórios estéticos para darem um toque pessoal ao vosso treinador.

No meio desta progressão entre as várias ligas surge, intercalada, a história do jogo. Primeiro surgem os rumores, mas à medida que vamos lutando contra outros treinadores vai chegando a confirmação de que há de facto um Mewtwo Negro pronto a derrubar tudo e todos os que se cruzarem no seu caminho. Isto, até que damos de caras com ele. Não vos vou estragar nada mas não contem com uma história substancial. Lembrem-se que estamos perante um jogo de luta, onde sobretudo é a jogabilidade que tem de falar mais alto.

A fórmula introduzida pela equipa responsável por Tekken faz todo o sentido em Pokkén Tournament. Nunca os combates entre Pokémon foram tão intensos e frenéticos. Cada Pokémon traz consigo diferentes habilidades e uma forma distinta de jogar. Controlar Charizard não é o mesmo que jogar com Gengar, Machomp ou Blaziken. e isto não é uma crítica, decorrem da mesma forma alternando sempre entre duas fases: Field Phase e Duel Phase. Na primeira, a câmara assume um ponto de vista tridimensional com a qual podemos percorrer o cenário, que nesta perspectiva está mais amplo, desencadeando uma série de ataques que nos permitam fazer uma investida mais poderosa. Já na Duel Phase o combate assume a tradicional postura 2D de jogos como Tekken.

Para cada combate podem levar um conjunto de dois Pokémon de suporte. Ao todo são 30, pelo que terão muito para desbloquear mas saibam que apesar de levarem dois convosco durante o combate só podem chamar um em cada round. No final de cada round podem escolher outro ou manter o mesmo. No que diz respeito aos combates, falta-me ainda apontar para o canto inferior esquerdo do ecrã onde se encontra a barra de Synergy. Quando estiver cheia é com ela que podem ganhar um aumento temporário às habilidades do vosso lutador, bastando para isso pressionar os botões L+R. Façam-no novamente e desencadeiam o ataque especial do vosso lutador de eleição. Cada lutador tem o seu e todos são impressionantes.
Pokkén Tournament

Uma fórmula interessante e, parece que não, mas é extremamente acessível a todo o tipo de jogadores. Nem todos os fãs de Pokémon são fãs de jogos de luta e é bom ver que os produtores tiveram isso em conta. Mas há algo que compromete tudo isto e que depressa me fez cair gradualmente na monotonia. Falo do número de lutadores. Ao todo, contando com duas desbloqueáveis (Mewtwo e Mewtwo Negro), são 14. Infelizmente o leque actual de lutadores, faz-se notar da pior maneira, sobretudo no modo Ferrum League onde dava por mim em ligas com dois Charizards, ou duas Suicunes por exemplo. Pokkén Tournament faz quase,  mesmo quase tudo bem. Traz uma jogabilidade inovadora frenética e bem intensa, complementada por um sistema de progressão que – para além de oferecer uma maior longevidade – nos permite ajustar os nossos lutadores ao nosso estilo de jogo.

Os cenários e gráficos são ricos e bem agradáveis, podemos até jogar remotamente sem comprometer a fluidez dos combates e utilizar as vários amiibo diponíveis no mercado para desbloquear acessórios para o nosso avatar. Só que este pequeno e único problema não será fácil de contornar, especialmente pelos fãs sequiosos de verem os seus Pokémon preferidos em vertiginosos combates em alta definição.

Afinal de contas Pokémon é sinónimo de quantidade. Quando inicialmente eram apenas 151, agora é difícil contá-los mas parece que foi também difícil “apanhá-los todos” – pelo menos mais alguns – e trazê-los para Pokkén Tournament. Tal como está, este é um jogo que se apresenta como um bom jogo de luta pela jogabilidade que oferece. Infelizmente o leque de lutadores, apesar de pertinente, não deixa de ser escasso, acabando por oferecer ao jogador apenas um excerto do que poderia ter sido o mais glorioso jogo de luta de sempre da série Pokémon.



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