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(re)store apt gallery

Rés-do-chão do número 14 da Praça José Fontana em Lisboa. Um apartamento onde se pode "levar tudo", só não se pode "ficar a viver”.

No centro de Lisboa, ao final de tarde, encontramos (re)store apartament gallery na Praça José Fontana. Olhamos por entre as janelas abertas para o transeunte que passa e, curiosos, entramos, envolvendo-nos no típico ambiente de uma casa que nos acolhe pela luminosidade e harmonia entre o espaço e as peças expostas.

É uma casa aberta para quem passa, para o curioso que olha, para o que turista que fotografa, para o transeunte que entra e anda pela casa, explorando as divisões, tocando em peças originais como a Harcourt (1967), experienciando as peças recriadas por Pedro Silva, o mentor da ideia de abrir uma “casa completamente montada. Equipada. Mobilada.”

Pedro Silva imaginou um espaço onde pudesse ter algumas das suas peças expostas, contudo não se encontrava perto de imaginar que poderia transformar uma casa abandonada h mais de trinta anos numa apartament gallery. Numa visita ao apartamento rés-do-chão do número 14 da Praça José Fontana, o enamoramento surgiu, não sendo logo imediato. Após uma chamada, para confirmar na possibilidade de ficar com a casa, Pedro Silva não hesitou e aceitou a aventura de transformar o espaço escuro e abandonado – ao longo de ano e meio – num local de luz, harmonia e requinte, conjugando as diferentes peças como em qualquer casa tradicional. Seguindo as emoções que a casa lhe transporta a cada momento, quando se senta no escritório como que transforma as peças em novos objectos, dando uma nova utilidade funcional a um objecto esquecido entre as prateleiras e armazéns espalhados pelo mundo.

As peças que habitam na (re)store têm diferentes origens tanto nacionais como europeias e norte-americanas. Fruto das suas viagens pela Europa, entre outros destinos.

A imagem criada por António Néu em sinergia com Pedro Silva, recorre à simplicidade das palavras e das cores, recorrendo a um fundo texturado verde, permitindo que a identidade da casa possa respeitar tanto a vertente do restauro como o redesign, de forma artesanal.

Tour pela (re)store

O tour pela casa inicia-se na entrada, onde as diferentes peças convivem em harmonia com o fundo texturado verde, e a inscrição que dá boas-vindas a cada visitante: “está a entrar numa casa completamente montada. Equipada. Mobilada. Daqui, pode levar tudo. Só não pode ficar a viver”.

Caminhamos pela direita e entramos na sala verde, explorando a vista para a rua sentados numa La Fonda Eames Side Chair (1961), escrevendo sobre uma Pastoe Writing Desk (anos 1950), e tendo ao fundo a Praça José Fontana como fonte de inspiração.

Continuamos para a sala rosa, e sentamo-nos à Mesa de Refeição (anos 1970) – transformada e recriada pelo mentor Pedro Silva em 2010, na sala encontram-se também a Space Age Lounge Chair (1970) situada ao canto da sala com vista para a praça com diferentes peças recriadas por Pedro Silva nos últimos anos.

No meio da casa fica a sala Rothko com as transformações sobre a projecção fotográfica da pintura original de Mark Rothko em duas paredes distintas; numa usando a técnica do fresco, e na outra recorrendo a tinta acrílica.

Saímos da sala Rothko e entramos no corredor olhando para cima e vendo entre os variadíssimos candeeiros, o Candeeiro de Tecto Diamante e Flores – tendo como designers Pedro Silva e Ximene Barbosa (2011). Ao fundo temos a parede nua do seu revestimento inicial, mostrando a estrutura de base através de placas de acrílico.

Entramos de seguida no quarto, que reflecte a luz sobre os diferentes elementos que compõem a divisão. Entre a cama e as mesas-de-cabeceira vemos as diferentes malas que já fizeram parte das nossas viagens de criança. Numa das mesas-de-cabeceira lemos o título “Educação para Meninas” e sorrimos, outros tempos que nos visitam quando sentamos à beira da cama.

Saímos do quarto e exploramos as outras divisões da casa, ansiando a surpresa no recanto, e descobrimos um armário de parede com uma aplicação de renda artesanal e tinta acrílica, a porta da casa-de-banho.

Entramos e deparamo-nos com a banheira clássica transformada com a tinta sintética sobre a renda artesanal. Passamos os dedos sobre a textura da renda e os dedos adivinham o pormenor das rendas.

Saímos e a porta seguinte liga-nos à cozinha, na qual entramos e vemos as tradicionais bancas do início do século XIX contrastando com os armários da década de 1950 e a respectiva publicidade como imagem de marca. Retomamos o caminho pelo corredor, levando-nos ao escritório, onde uma majestosa Mesa Credência (séc. XIX) se centra na divisão dando uma sensação de bem-estar e conforto a quem se senta e trabalha sobre ela.

A casa envolve-nos a cada passo entre o passado e o futuro. O presente acontece em cada toque pelas peças, pelas texturas, pelo silêncio opondo a permanente movimentação de quem espreita pelas janelas da praça.

Esperamos voltar em Setembro com novas transformações ao casa.

Fotografia de Mário Vilar



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