Sonhos de Areia

As fotografias de Alexandra Afonso em exposição na Biblioteca Municipal Orlando Ribeiro em Telheiras.

A partir do próximo dia 6, e até 31 de Agosto, estará exposto o trabalho de Alexandra Afonso na Biblioteca Municipal Orlando Ribeiro em Telheiras, sob o nome “Sonhos de Areia”. Esta mostra de fotografias é o resultado do trabalho feito pela autora no deserto do Níger e contará com uma atmosfera sonora criada com sons captados no local.

Alexandra Afonso nasceu em Lisboa em 1972 e é formada pela Escola Superior de Teatro e Cinema na área de Imagem, terminando o curso em 1996. Posteriormente, viveu em Bruxelas onde efectuou os seus primeiros projectos de vídeo e fotografia para dança com coreógrafos como Joanne Leighton, Marta Mella, entre outros. De regresso a Portugal trabalha em cinema na área de imagem com realizadores como Edgar Pêra, “A Konspyração dos 1000 Tympanos”, “Marialva Mix”; Tony Gatlif, “Vengo”; João Canijo, “Noite Escura”; Manoel de Oliveira, “Palavra e Utopia”, “O V Império”.

Esteve na Índia, em Calcutá, como operadora de câmara no documentário “Manikda” sobre Satiajit Ray. Viveu ainda três anos em Paris onde trabalhou na área de imagem, com realizadores como Jaques Deschamps, “La Fille de son Père”, Christophe Rudgia, “Les Diables”, Karime Dridi, “Furuer”, entre outros. Mais recentemente foi directora de fotografia no filme de Jorge Cramez, “Nunca Estou onde Pensas que Estou”, em estreia este ano no Fantasporto.

Quanto a esta exposição, a descrição fica a cargo da própria autora:

“O mundo é maleável. Sensação, percepção, interpretação, comunicação. Vivências recortadas. Miragens brilhantes na memória. Instantes cristalizados de uma viagem.
360º de horizonte a tocar o céu lavam os olhos, lavam a memória quilómetros intermináveis de pista. E noites de fogo e histórias contadas com desenhos na areia, e adormecer na imensidão do céu à sombra das dunas por causa do luar, mudam a dimensão de todas as coisas.

Chegar no dia da festa à última cidade antes do deserto. Cidade de areia. De repente uma multidão. Mulheres deslumbrantes, de brilhantes, tecidos esvoaçantes, olham-me com os seus olhos penetrantes, curiosos, seguros e cantam a provocar os seus homens… são Islâmicos mas à sua medida.

Este é um lugar onde tudo faz sentido, tudo é claro, nada está em excesso, nada apodrece no deserto.

Eles tapam-se, misteriosos homens azuis. Azuis de festa, que os tecidos com que se cobrem nesses dias são negros e brilhantes à força de tanto índigo e desbotam com o suor, deixando-lhes azul a pele. Toda a gente conta as suas histórias, toda a gente fala, toda a gente brilha. Uma multidão é algo raro e precioso.

Para trás um outro deserto, onde velhas carcaças de carros polidas pela areia e o vento pontuam a margem da pista e a margem dos que não são de lá.

Para mim foi sempre o deserto, até chegar ao deserto, até chegar às dunas, à imensidão… até ver o que era o deserto.”

A exposição decorre de 6 de Julho a 31 de Agosto na Biblioteca Municipal Orlando Ribeiro em Telheiras, no Antigo Solar da Nora, Estrada de Telheiras. De segunda a quinta-feira, das 10 às 19h30. Sexta-feira das 10 ás 22h30 e Sábados das 10h30 às 13h30 e das 14h30 às 18h30.



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