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Wavves + Teengirl Fantasy

Lisboa, Galeria Zé dos Bois, 19 de Dezembro 2009

A estreia tardou mas aconteceu, depois do episódio no Primavera Sound de 2009, que já entrou para a história do indie para o bem ou par ao mal. Se não fazem ideia do que estou a falar uma pesquisa rápida no You Tube usando as palavras ‘wavves’, ‘primavera’ e ‘sound’, certamente irá iluminar-vos. A estreia não foi a 100% visto que Zach Hills, o  baterista e cara metade de Nathan Williams nos Wavves, não pôde marcar presença devido a um pulso partido.

Esperar um concerto com uma atitude séria por parte dos Wavves é algo praticamente impossível. Esta premissa, por si só, era um bom ponto de partida sobre como encarar o concerto. A sala estava cheia, se bem que, comparando com outras noites, a média de idades estava um pouco mais baixa.

A abrir estiveram os Tenngirl Fantasy. Projecto de Logan Takahashi e Nick Weiss, que se movimenta por terrenos bem distintos daqueles pisados pelos Wavves. Não fosse a ZdB um sítio tão conhecido pelo seu cariz eclético e alguns poderiam ter achado a combinação estranha. Assim, para preparar o terreno para as descargas de adrenalina que se iriam seguir, houve samples, muitos samples, todos eles colados de forma meticulosa. Resultado? Há quem lhe chame dream music. Eu acho que são daquelas bandas que nos deixam entre dois sítios: o mundo real e o dos sonhos. Uma surpresa agradável.

Seguiram-se alguns minutos de espera e eis que, finalmente, o “Wavve” Nathan Williams surge em palco acompanhado de duas criaturas (o termo não está tão longe da realidade quanto possam pensar), que por meio de gestos e palavras fizeram todos os presentes recordar como a comunicação entre seres humanos há alguns milhares de anos atrás poderia ter sido. Houve também muita conversa sem nexo. “Satan” andou na boca da banda durante o concerto. Sinceramente nunca consegui perceber bem o porquê mas tal facto pouco ou nada interessou. Adiante.

As coisas ficavam realmente interessantes quando Nathan e companhia se lançavam a um tema. Aí parecia que não havia amanhã. Alma em cima do palco e mosh em frente deste. A componente noise dos wavves saiu a “perder”. O punk mais lo-fi que também os caracteriza falou sempre mais alto.

É certo que não houve excessos de maior no que diz respeito ao álcool, mas era notória a sua presença, em especial pelos longos períodos que passavam entre temas fosse para os elementos da banda trocarem algumas piadas entre si ou com o público – uma constante – ou simplesmente para fazer alguma afinação.

Já mais para a recta final do concerto rebentou o caos quando começou o crowd surfing (com Nathan Williams a ter uma participação extremamente aciva!) numa sala que já se encontrava ao rubro. Para o final (?) ficou a interpretação da “So Bored”. Foi um tema perfeito para fechar uma actuação intensa dos californianos, porém devo confessar que fiquei sem perceber claramente se o concerto terminou ali porque estava previsto ser assim, ou se terminou devido à invasão mais ou menos pacífica de palco que teve lugar. Daí o ponto de interrogação entre parêntesis…

Foram quase sete, os meses de espera para ver os Wavves depois da falsa partida inicial. Terei de continuar a esperar para ver e ouvir tocar ao vivo a “No Hope Kids”. Paciência. Não se pode ter tudo.



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