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Zootrópio Video and Short Film Festival

Video rainbow.

No fim-de-semana passado, entre os dias 9 e 11 de Março, a associação cultural e espaço dedicado à vertente artística Lófte foi expugnado pela vídeo-arte. Organizado por estudantes de Erasmus da Faculdade de Belas Artes do Porto e estagiários do Lófte, o Zootrópio Video and Short Film Festival teve a sua primeira edição num contexto hippie, longe da “cena” da vídeo-arte, o que se destacou dentro do espaço portuense no seu carácter mais alternativo, invulgar e peculiar. A qualidade dos filmes exibidos, principalmente dos países de proveniência dos estudantes organizadores, foi notável, arrecadando a maioria do prémios finalistas.

Entrando pelo gigantesco portão situado na rua dos Caldeireiros e passando por um corredor escuro e sombrio antecedente às escadas que dão acesso ao Lófte, chegamos à entrada do Zootrópio Video and Short Film Festival. Subindo, as escadas são iluminadas por um fino tubo de luzes do lado esquerdo – daquelas suaves que lembram o Natal, depois de paga a entrada de dois euros por dia, para sessões que decorriam entre as 16h e 22h – aproximadamente, o cenário indiferente e apático que estaríamos à espera de encontrar em festivais de projecção de vídeo foi substituído por um mais libertador ao estilo Rainbow. Vinho quente e tinto, iguarias culinárias para aguentar as longas sessões de projecção de filmes, crianças, sorrisos e um cão muito simpático era o que nos aguardava. Organizado por Anita Karpisnka  em colaboração com Isabel Mondragon, Igor Dimitri, Jan Martinec e Ana Ródenas Martinez, Zootrópio foi o culminar da vontade destes jovens profissionais em criar um festival que desse a oportunidade de mostrar trabalhos dentro das várias disciplinas de vídeo: experimental, ficção, documentário, animação e vídeo-arte. Estiveram 15 países em concurso e, graças à nacionalidade dos organizadores, foi dado um especial destaque à Letónia, Espanha, Portugal e República Checa.

Diariamente, a acompanhar (e para descansar os olhos da tela), aconteceram concertos e performances. No primeiro dia foi a vez de Triciclo Vivo, um grupo português que nos trouxe um imponente Didgeridoo. No segundo, Bate&Bala e VJ Geeksh@ mostraram batidas suaves provenientes de uma espécie de xilofones africanos de grande dimensão de onde saía um som divertido. Já no último dia, Eekjab&Dimi revelaram a combinação entre música electrónica e videofeedback e, para terminar, a performance de Yaw e Eloisa (com participação de Fabiola), um transe erótico realizado por duas artistas vestidas de negro.

Dentro de cada categoria existiram três prémios distintos: Best Visual, Best Concept e Best Film. No âmbito de Animação, os vencedores foram (pela ordem descrita na frase anterior): “La cosa en la esquina” de Zoe Berriatúa (Espanha), “Hills”, de Avis Misjuns (Letónia) e “History of Levitation” de Gatis Kurzemnieks (Letónia); no âmbito Experimental, “Loop” Ieva Balode (Letónia), “The Visualisation of Thoughts” Linda Konone (Letónia) e, novamente, Ieva Balode com “Into the Dust We Shall Return”. Na categoria de Vídeo-arte, “CCA” de Vojtěch Fröhlich (República Checa), “Flow” de Vladimir Turner (República Checa) e “Changeover” de Indrikis Gelzis (Letónia). Já na de Documentário: “33 Scalps” de Vladimir Turner (República Checa), “Zurdo” de Demetrio Elorz Lazkanotegi (Espanha) e “Merry Go Round” de Vladimir Turner (República Checa). Por fim, na categoria Ficção, “Red” de Marissa Rivera Bolaños (México), “Slides” de David Ilundain, Eugenia Poseck, Luis Arribas, Paul Severn, César Urrutia, Javier San Román, Jesús Liedo e Paco Ortega (Espanha) e “Dicen” de Alauda Ruiz (Espanha). Os melhores filmes do festival serão exibidos no Canal 180 e os organizadores lançam um especial agradecimento à Faculdade de Belas Artes do Porto, de quem receberam apoio para todo o material técnico. Ainda, o júri do festival foi composto por Vítor Almeida, Rute Rosas, Dario Oliveira e João Alves Marrucho.

Zootrópio foi um belo nome escolhido. As palavras de proveniência grega: Zoe que significa vida e Trope girar, remetem-nos para a ideia de que este festival com uma grande carga internacional há-de “girar” por vários países nas suas próximas e futuras edições, sendo que o Porto foi a cidade privilegiada para a primeira.

 

Fotografia de Rita Garcia



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