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Azevedo Silva em showcase na FNAC de Cascais (18.11.2012)

O registo de um domingo à tarde…

Numa tarde soalheira de domingo, o vento fazia-se soprar bastante forte. Apesar de pedir um passeio no exterior o vento remetia-nos para o interior.

No decorrer da semana havia surgido o convite para assistir a um showcase numa daquelas lojas de shopping que ainda apostam nestas coisas. Acedi ao convite e em nome pessoal vim assistir ao concerto de Azevedo Silva em Cascais. Apanhei um pouco da preparação do mesmo, o sound check, e só por estes minutos iniciais deu para perceber que “Monja Mihara”, o seu último registo, iria ser apresentado sem se despir inteiramente do que foi apresentado digitalmente.

Fazendo-se acompanhar dos quatro colegas, o concerto começa com o fantástico «Torto». Provavelmente uma das melhores músicas do ano cantada em Português. Mas Azevedo Silva consegue surpreender sempre e superar-se, parece-me. «Mediocridade» seguiu-se. Assim, começamos a ver que as músicas não existem por acaso. Todas transmitem uma mensagem real, actual. Azevedo Silva não daria um discurso comum num concurso de beleza. Incendiaria opiniões, apelaria ao pensamento.

Estes concertos mais pequenos são óptimos pois quem está à nossa frente consegue abrir-se mais facilmente e assim falar sobre as temáticas que levaram as letras das músicas. «Faquir» foi dedicada a José Mário Branco na altura em que escreveu um texto sobre o FMI e como Luís ficou desiludido com o mesmo após lhe ter enviado um e-mail e ter recebido uma resposta automática.

O público estava meio adormecido. Luís confessou mesmo que não são os fantasmas que o assustam, é o público da FNAC de Cascais. Ouviram-se reacções, a malta riu-se para não chorar depois da verdadeira afirmação de que para o ano, com os novos orçamentos o dinheiro para a cultura seria ainda menos. E resta saber como Luís vai fazer para continuar a tocar, pois a partir cordas à velocidade com que as parte, terá de ter todo um orçamento específico só para isso.

Estes showcases são bons para isto mesmo, conhecer novas bandas, interagir com eles no final – caso queiramos. São bastante pessoais, e uma excelente opção, quer seja para um dia frio ou para um dia mais quente. Quem diz este, diz outros deste género.

A verdade é que a cultura não ocupa, nem nunca ocupará espaço. Tal como a educação. Aliás, o tempo que dedicamos à cultura promove em nós o sentido crítico, as emoções e as sensações que muitas vezes perdemos na correria do quotidiano.
Se vai ao shopping e se uma das lojas está a promover uma agenda cultural, porque não parar para assistir? Vir a um centro de consumo e consumir cultura é considerado consumismo? Se é, então sou viciada em pequenos concertos, showcases, quer seja em centros comerciais, ou noutros espaços.

O registo de um domingo à tarde…



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