Sexta-Feira em Lisboa

CAVEIRA + Damo Suzuki na zdb, festa GLUP com DJset de Nuno Gonçalves (The Gift). Os opostos atraem-se.

Noite intensa, a da passada sexta-feira. Primeiro, o desafio patenteado na junção CAVEIRA / Damo Suzuki, na Galeria Zé dos Bois. Depois, havia que espreitar a primeira edição da festa GLUP, organização da Soundsnack. Uma coisa de cada vez.

Primeira paragem na mais célebre Galeria do Bairro Alto, para averiguar o estado de forma do furacão CAVEIRA e testemunhar nova aparição por Portugal de Damo Suzuki, o mítico ex-vocalista dos Can. Suzuki, sabia-se à partida, recruta músicos locais por cada sítio onde toca, e em Lisboa a opção recaiu nos CAVEIRA. Para quem já havia testemunhado este trio de free-rock ao vivo, a pergunta impunha-se: resultaria? Resultou.

A jogar em casa, os CAVEIRA foram, uma vez mais, arrasadores. Demoraram um pouco a entender-se com Damo Suzuki, mas quando tal sucedeu (recta final da primeira metade e segunda parte do concerto) os resultados foram os melhores. Joaquim Albergaria demolidor na bateria, Pedro Gomes alucinado (e alucinante!) como sempre, Rita Vozone a bonita e discreta presença para completar o leque. E o senhor Suzuki, bem disposto, simpático, a debitar algumas linhas em inglês foi a peça que encaixou no puzzle. Encaixou bem, apesar dos primeiros momentos de estudo mútuo.

Concerto devastador. Mesmo para quem não tem no noise um dos seus estilos de eleição (forma subtil de dizer que o escriba não é particular adepto do género), há que reconhecer a força e vitalidade proporcionada pelos CAVEIRA e pelo cabeça-de-cartaz, afinal, de tudo isto: Damo Suzuki. Poderosíssimo.

Depois, terminado o concerto na zdb, altura de rumar ao Op Art, nas docas.

Os opostos atraem-se, diz o título. Atraem-se? Depois do furacão CAVEIRA + Damo Suzuki, altura de espreitar a primeira festa GLUP, organização da Soundsnack. Um conceito novo, e deveras interessante. Meter alguém de renome global, de três em três meses, a debitar som noite dentro. A estreia foi com um nome já habituado a estas andanças: Nuno Gonçalves, dos The Gift, habitual presença enquanto DJ na sua Clínic(a) de Alcobaça.

O espaço, à beira-rio, contou com um público considerável, dividido entre algumas presenças de habituais do espaço e outros ainda atraídos pelo nome forte do DJ da noite. Nuno Gonçalves, faceta DJ, é um caso imprevisível. Das vezes a que o escriba teve oportunidade de presenciar esta faceta do músico, em nenhuma vez Nuno desiludiu, embora em todas tivesse apostado em diferentes perspectivas sonoras.

Situação comum a todas as vezes, é a intensidade com que o DJ leva a sua tarefa, sempre num constante rodopio e frenesim. Dançar foi a palavra da noite, e a tarefa foi levada por diante até perto, pertinho, das 8 da manhã, com Djeck Matt, dos Le Divan, a assegurar o prolongar da festa após o término da prestação de Nuno Gonçalves. Parabéns à Soundsnack pela iniciativa. Lá estaremos na próxima.

Ah, e confirma-se: os opostos atraem-se, definitivamente. Grande noite.



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