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Golden Silvers

A originalidade do rock sem guitarra, a banda britânica renova a Pop britânica.

Um antecipado prenúncio do fim da Pop abateu-se no fim de Junho sobre milhões de fãs que, demasiado presos à massificação da música, se esquecem que a Pop é renovada todos os dias ao virar da esquina. E ao virar da esquina está este mês um trio de miúdos londrinos que vêm introduzir no bê-à-bà do POP-Rock convencional, uma velha máxima que aqui ouso adaptar: ‘Na Pop nada se perde, tudo se transforma!’

Mas o Pop-Rock dos Golden Silvers foge um nada ao convencional. Por uma curiosidade maldosa a banda torna-se ecologicamente num trio híbrido, pois o grupo composto por baixo, bateria e teclado, não tem guitarra!

Ora se o rei foi nu, estes vêm vestidos de um brilhante prêt-à-porter dançável, captando a essência Pop no seu estado mais Indie-Rock. Este revivalismo salutar sitiado nas margens do rio Tamisa, saltou à vista da imprensa britânica depois de lograrem ganhar, o New Talent Competition 2008 em Glastonbury, e que lhes valeu um salto até à Rough Trade, editora que lançou para as lojas um primeiro LP “True Romance”, disponível no formato CD, também em download e com uma edição limitada do single “True Romance” em vinil.

Este primeiro single tem um ambiente Glam-Rock pisando as plumas de um Marc Boland beatificado por uma áurea funky; um sintetizador substituindo a guitarra, cai religiosamente em cima de uma frenética batida a que o baixo salpica com uma pitada de sal à lá Cabaret-Rock do santificado Ian Dury.

A originalidade do rock sem guitarra parece absurda – que banda ousa descartar a alma de toda uma geração? É escárnio à indústria de bandas produzidas em série, seja na inspirada Manchester do Ian Curtis, seja no mundo nacionalista da RTP com o filho do Roberto Leal a tocar o hino com essa indumentária, é que chega a ser pecaminoso!

Mas a omeleta sem ovos continua. A banda parece mancar do historial da Pop britânica ao deixar essa ferramenta em casa e em “Magic Touch” o cordeiro é quem veste a pele do lobo. A banda mascara-se de uns Beatles que se acabaram de libertar da sua locomotiva a pedal para saudar toda a ilha britânica com o sol dos coros dos Beach Boys.

A idade de ouro das bandas do terceiro milénio brilha, salvo raras excepções, nos primeiros dois trabalhos. As bandas depois caem numa melancolia repetindo as suas estruturas e as suas influências. Mas falar das influências dos Golden Silvers é algo vago, a banda guarda para si uma originalidade em usar o escopo na pedra esculpida no capitel dos anos 70 e no restauro dos anos 80.

O discurso New-Wave na batuta de um Goove-Soul que encontra ancoradouro em “Queen of the 21st Century”, é abruptamente interrompido por Gwilym voz e teclado, Alexis no baixo e Ben, baterista e grande alma dos Golden Silver, no tema “Please Venus” num aforismo liverpoliano de psicadelismo LSD, lembrando uns The Boo Radleys na sua viagem a “Giant Steps”.

E se em “Locked up my Head ou em “Arrows of Eros” temos uma queda no electro na primeira e umas férias nas Caraíbas, no segundo essa aterragem em nada restringe a banda no vulgo movimentado trafico da Pop britânica, permite mesmo descolar dos demais e destacarem-se numa galáxia que de viúva nada tem.

O legado em que o colectivo pega e transforma, deixa antever uma longa vida à musica Pop, que está longe de chumbar, como querem vaticinar alguns média que de repente se viram órfãos da matrona voz mãe da Pop e que se ausentaram da ideia que ao virar da esquina poderá estar sempre “The next big thing”.



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